
Devemos fingir que não sabemos que, ao contrário do mito veiculado no filme Invictus, a África do Sul continua sendo um dos países mais violentos, racistas e desiguais do mundo.
Que a expectativa de vida sul-africana é de 50 anos e a taxa de analfabetismo nos adultos, é pelo menos de 15%! Quase 43% da população vive abaixo da linha da pobreza, o desemprego é oficialmente de 20% (mas algumas estimativas extra-oficiais avançam o número para 40%) e 1,1 milhões de famílias ainda vivem em favelas.
Graças ao silêncio resignado da FIFA, as máfias especializadas no tráfico de seres humanos vão organizar a deportação de milhares de mulheres para serem exploradas sexualmente pelos torcedores, jogadores, cartolas e autoridades, agravando ainda mais o risco de propagação da AIDS num país onde 5,7 milhões de pessoas estão infectadas e 58% delas não têm acesso aos medicamentos.
No país, abusos contra as crianças, o tráfico de pessoas, estupro e maus-tratos são crimes recorrentes. Segundo a Anistia Internacional, as violações dos direitos humanos dos refugiados, dos que pedem asilo político e dos imigrantes são comuns e agressões freqüentes, e em grande escala contra as mulheres. A violência xenófoba é diária, mesmo com a grande mídia neste momento desenvolvendo uma campanha desmentindo isso, para tranqüilizar as multidões que desejam assistir a Copa do Mundo.
Como de costume, a polícia e todo um arsenal de segurança serão implantados durante a Copa a fim de proteger os turistas de gangues e controlar as violências múltiplas das torcidas.
O Chefe da Polícia sul-africana anunciou 45 mil policiais ao redor de cada estádio da Copa. As competições desportivas são sempre boas oportunidades para desenvolver o controle das populações, comercializar e testar novos equipamentos de repressão.
Os cinco novos estádios construídos e os cinco estádios reformados da Copa do Mundo custariam inicialmente mais de um bilhão de euros, mas o custo total de despesas se elevou para mais de 7 bilhões, revelando um gasto muito acima do que o inicialmente planejado.
Por outro lado, os salários dos trabalhadores na construção e reformas dos estádios foram uma miséria. Não à toa aconteceram vários movimentos grevistas reivindicando melhorias salariais. Mas, este dinheirão todo foi parar em algum lugar: nos bolsos da FIFA! Além dos bolsos da corrupção e do superfaturamento, envolvendo empresas e autoridades.
O total das receitas da FIFA no ano de 2009, em conexão com a Copa do Mundo da África 2010: 1,06 bilhões de dólares dos quais 196 milhões de dólares só de benefícios com a internet. Isto sem mencionar os patrocinadores oficiais que estão no ranking dos lucros estratosféricos e que conquistam sempre novos mercados graças às competições desportivas internacionais como esta.
Ademais, o que se esquece quando se apaixonam pela Copa do Mundo é que, o garoto chinês (crianças entre 13 e 17 anos) que fabrica o boneco de pelúcia leopardo “Zakumi”, adotado como mascote da Copa de 2010, trabalha na linha de produção 13 horas por dia por um salário de 2,5 euros (menos de 6 reais). No fundo, nós, trabalhadores e trabalhadoras, somos todos explorados e hipnotizados pelo entretenimento do futebol.
E cada um deverá apoiar a sua bandeira nacional, incluindo as mulheres que estão, infelizmente, cada vez mais envolvidas neste jogo de estúpidos. Aceitar as regras de um jogo mercadológico, violento, desigual e sexista, que reforça a alienação de todos e de todas, não pode e não deve ser entendido como uma conquista social.
Então, e se nós disséssemos stop!? Chega de palhaçadas!
Trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, vaiemos à bandeira e à seleção nacional!
Fonte: CMI-Portugal.
Texto originalmente escrito por um anarquista francês, mas com pequenas modificações para dar um sentido mais geral de compreensão.
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