30 de novembro de 2008

Autônomos FC: "futebol com alegria, mais espontâneo, menos mercadológico"


Entrevista concedida pelo Autônomos FC para a ANA, Agência de Notícias Anarquistas.




Criado por punks e anarquistas, desde 1º de maio de 2006, existe na Grande São Paulo um time de futebol autogestionado, com espírito anárquico. O Autônomos Futebol Clube, ou “Auto”, como é carinhosamente chamado por seus “fãs”. “Um time com ideal autogestionário, anti-racista, anti-fascista, contra o futebol mercadoria”, explica Kadj Oman, um dos fundadores do clube. Na entrevista a seguir, ele fala, com a espontaneidade e malandragem libertária de um bom boleiro varzeano, do Autônomos FC e do esporte mais popular do país, cada vez mais industrializado e burocratizado pelos interesses materiais. Mas que, também, sob sol e chuva, terra batida, bola improvisada, descalços, resiste, alegra e encanta nas mais diversas “peladas” das periferias e rincões miseráveis do Brasil. Confira o bate-bola:


Agência de Notícias Anarquistas > Fale um pouco sobre o Autônomos Futebol Clube, sua organização e objetivos, em que contexto ele surge…

Kadj Oman < Bom, no fim de 2005, eu comecei a organizar um campeonato de futebol de salão que se chamava Copa Autonomia. Nele, não havia juiz e as regras eram poucas. Fizemos 10 edições dessa copa sem nenhum problema. Mulheres jogavam, crianças, a gente se divertia (inclusive, dá pra ver o vídeo da 1ª edição do torneio procurando pelo nome no YouTube). Aí, no Carnaval Revolução de 2006, em Belo Horizonte (MG), acabei participando de uma palestra/bate-papo sobre futebol e revolução, e conheci o Mau, o Jão e a Mix, do Ativismo ABC. Compartilhando um pouco das nossas angústias sobre o punk e o futebol, tivemos a idéia de fazer algo nesse sentido quando voltássemos. Aí eu aproveitei que na Copa Autonomia tinha um pessoal interessado na idéia e fundamos o time, pra jogar futebol society, no início. Foi uma época de muitas alegrias e muitas derrotas, tirando as amizades que surgiram. Jogaram suíços (5 ao mesmo tempo, de uma banda de ska), argentinos, australianos, canadenses, colombianos. E muitos brasileiros, punks ou não, afeitos ao ideal de autogestão. Mas o societyera mercadológico demais pra gente, e então fomos pra várzea, onde mais e mais gente foi se interessando pelo time e ele cresceu. Hoje temos dois quadros e um time “júnior”, composto por alunos de um dos zagueiros do time. Sobre a organização, bem, a gente divide tudo, desde lavar os uniformes até ficar de gandula nos jogos, passando pela vaquinha pra pagar o campo em que jogamos, que é alugado. E os objetivos sempre foram o de resgatar o futebol com alegria, mais espontâneo, menos mercadológico, sem se fechar a qualquer um que concordasse com a idéia de autogestão. Faz pouco mais de um mês, traçamos um estatuto, já que o time está cada vez maior e a gente não quer perder o objetivo principal dele, que é se divertir. Lógico que jogamos pra ganhar, até porque fazer as coisas você mesmo pra gente significa fazer o melhor possível, mostrar o quão bom se pode ser assim. Mas não colocamos a vitória acima de tudo - aliás, só nos últimos 4 meses que o time passou a ganhar mais do que perder mesmo.


ANA > E que história é essa de futebol autogestionado?

Oman < Pra ser justo, toda a várzea é meio que autogestionada. Surgem campos onde quer que haja um pedacinho de terreno, por mais que a metrópole engula espaços e vomite de volta o futebol society e o futsal, além do profissional, é claro. Mas no nosso caso, a autogestão passa por uma questão estrutural, de não ter presidente, diretor, tesoureiro, nada. Temos sim capitão, técnico, goleiros, laterais-direitos, porque isso não tem a ver com hierarquia necessariamente, e sim com aptidões ou gostos pessoais por jogar aqui ou ali, ou fazer essa ou aquela função. E divulgamos essa idéia de autogestão por onde jogamos, distribuindo panfletos ou no boca-a-boca mesmo. Alguns jogadores que estão com a gente, inclusive, eram de times que enfrentamos e que gostaram do nosso jeito de lidar com as coisas. Então a nossa autogestão é tentar ser o mais livre possível dentro do que se quer ser, mas respeitando os princípios básicos e as responsabilidades inerentes a todo projeto coletivo, como chegar na hora, colaborar com a grana sempre que necessário etc. Claro que no meio disso tudo às vezes surgem conflitos, mas o que seria a vida sem conflitos?


ANA > E qual a relação do Autônomos FC com o anarquismo? A cor do uniforme é mera coincidência? (risos)

Oman < (risos) É não é não. Acontece que o time foi fundado por punks e anarquistas, então na hora de escolher o escudo e as cores do uniforme isso contou. Mas conforme foi crescendo, o Auto (apelido carinhoso do time) foi se abrindo. Nunca foi um time explicitamente anarquista, mas sempre foi um time com ideal autogestionário, anti-racista, anti-fascista, contra o futebol mercadoria. Na verdade, os fundadores e boa parte do time, hoje, é de românticos, que ainda enxerga o futebol como uma crônica continuamente narrada a muitas vozes sobre a vida. Até banda de “rock’n'gol” o time gerou, a Fora de Jogo, que toca trajada com os uniformes do time e fala de futebol (sob uma ótica política) em todas as suas músicas. Além de que, convenhamos, preto e vermelho é uma combinação de cores das mais bonitas que existe. Os anarquistas, além de tudo, sempre tiveram bom senso estético. (risos)


ANA > Como explicar um anarquista ser fanático por futebol, por um time profissional, que cada vez mais são verdadeiros instrumentos capitalistas de manipulação, consumo e controle social? Ou assim como o amor não tem explicação? (risos)

Oman < Olha, explicação mesmo acho que não tem. A gente cresce gostando de futebol, aprende nele e com ele a se expressar, a se entender no meio de um coletivo (a torcida), acaba virando um dos nossos primeiros lugares de socialização. E como é o único que é contínuo pela vida toda, difícil se desligar dele. Até porque existiram muitos times anarquistas na história, o começo do futebol é operário, e ele é mais do que tudo uma festa popular. No início do século anarquistas aqui em São Paulo nomeavam suas equipes de “Flor” ou “Estrela”. Então, sempre que você encontrar um boteco ou padaria com esse nome, são grandes as chances de ele ter um passado anarquista. (risos)

E se o profissional é cada vez mais instrumento de controle, ele permite também nas suas brechas diversos tipos de encontros essencialmente anti-capitalistas, pró-ócio, pró-festa. A Gaviões da Fiel, torcida do Corinthians, por exemplo, se aproximou do MST nos últimos anos, dos Sem-Teto, promove festivais de cinema político, entre outras coisas. Temos que tomar cuidado pra não tomar a festa do povo por ópio, esse velho clichê, porque não é simples assim. O futebol foi apropriado pelo capital, assim como todo o resto, mas o próprio capital, contraditório que é, recria possibilidades dentro do profissional mesmo de ir contra ele (um bom exemplo, embora já meio distante temporalmente, é a Democracia Corinthiana). Cabe encontrar essas brechas, aproveitá-las, aprofundá-las. Durante toda a sua história o futebol opôs controle à festa, foi usado para dominar de um lado e para contra-atacar o domínio de outro. São tantas as histórias possíveis de serem contadas dentro do futebol… Um livro legal sobre isso é o “A Dança dos Deuses - Futebol, Sociedade, Cultura”, do historiador Hilário Franco Júnior. O que podemos e devemos fazer é continuar a contá-las, do nosso jeito, sem deixar que as vendam como mero produto descartável.


ANA > Será mesmo que o futebol profissional recria possibilidades de ir contra ele mesmo? Não acredito. O futebol profissional brasileiro está tomado pela maracatuia, pelo mercado, pelo negócio, vide Rede Globo, CBF´s, Trafic´s, Adidas e por aí vai. E por outro lado, os jogadores profissionais, na sua maioria, são despolitizados, sem atitude, vão à mercê dos dirigentes, cartolas. E no grosso as torcidas organizadas não são muito diferentes disso tudo não, também vão a reboque de políticos, dirigentes, cartolas… Na Itália, e em outras partes da Europa, que foi criado um movimento interessante por vários grupos “Ultras”, chamado “Contra o Futebol Moderno”, que luta contra as condições precárias dos estádios, ingressos caros, partidas sendo jogados em horários não-tradicionais, jogadores sendo vendidos como mercadoria, a comercialização excessiva no futebol etc. As torcidas uniformizadas do Brasil poderiam seguir esse exemplo, não?

Oman < Não vou te dizer que o profissional dá possibilidades o tempo todo de se ir contra ele, mas as recria vez ou outra sim. Se está envolto em tudo isso que foi mencionado, me diga, em que é diferente de qualquer outra esfera da sociedade? Tudo foi apropriado pelo capital, as relações sociais baseadas na venda são quase totalitárias, então as brechas são mesmo pequenas, ainda mais em um país onde as organizações sociais são tão marginalizadas e politicamente tão superficiais (não todas). As organizadas seguem o mesmo caminho. Não dá pra esperar delas uma postura que nenhum (ou quase nenhum) outro movimento organizado da sociedade toma, como essa de ir contra o futebol moderno. As poucas torcidas que vejo tentando seguir algum exemplo de fora acabam copiando as formas estéticas, as faixas, os gritos de guerra, mas não o conteúdo das reivindicações. Mas mesmo assim há organizadas indo contra sim. Um exemplo é a Resistência Coral, do Ferroviáio do Ceará, abertamente anti-capitalista, que leva faixas com dizeres como “paz entre as torcidas, guerra ao Estado”. Normalmente são torcidas menores, frutos de movimentos pequenos, como em geral é o anarquismo e o anti-capitalismo no Brasil. Mesmo assim, nas grandes torcidas aparecem às vezes manifestações nesse sentido. Já citei a Gaviões, que este ano levou faixas contra o preço dos ingressos nos jogos fora de casa do Corinthians. A Mancha Verde, do Palmeiras, também recentemente protestou contra o preço dos ingressos no estádio do clube. Eu acredito que os próprios constrangimentos que o capital imprime junta pessoas em direção a lutas por direitos básicos. Essa história da Copa 2014 e seus estádios a la européia vai dar pano pra manga. Já dá, aliás. Ano passado, acompanhando a final da Taça Brahma no estádio do Palmeiras, vi um monte de gente de Itapevi, cidade periférica da Grande São Paulo, se deslumbrando com o Setor Visa, pedaço do estádio com preços altos e cheio de mordomias. Outras pessoas, ao mesmo tempo, achavam aquilo absurdo, porque elitizava o estádio. A força das organizadas, que a mídia insiste em colocar na violência e na coerção, na verdade reside no fato de que elas são aglutinadoras de gente da periferia, que é quem mais sofre com as restrições do capital. Disso sempre pode surgir algo. E há de lembrar também que na mesma Europa contra o futebol moderno estão torcidas neonazistas, que também são contra o futebol moderno, obviamente por outros motivos. A Eurocopa desse ano mostrou neonazistas croatas com faixas com esses dizeres. Então, temos sempre que pensar as possibilidades dentro das realidades históricas, sociais, políticas de cada lugar. Não dá pra querer no Brasil a força de um movimento anarquista organizado como o grego, por exemplo, do dia pra noite. Mas nem por isso não existem possibilidades ou se deve jogar fora o que há.


Confira o restante desta entrevista no blog do Autônomos FC.


Nós da Ultras Resistência Coral ficamos honrados com a lembrança dos camaradas do Autônomos FC e esperamos ansiosamente pelo dia em que poderemos disputar um racha com os camaradas, de preferência em alguma manifestação com bloqueio de rua!

28 de novembro de 2008

Clubes peruanos solicitam redução de mandato de Burga e mais poderes

Na última quinta-feira (27), os clubes peruanos de futebol solicitaram que o Manuel Burga, presidente da Federação Peruana de Futebol (FPF), encurtasse o período do seu mandato. O dirigente é o pivô da intervenção do governo do país no futebol do país, o que resultou na exclusão, pela Fifa, do Peru das competições internacionais como, por exemplo, a Copa Santander Libertadores 2009.

As decisões dos 14 clubes que constituem a primeira divisão do futebol do país foram comunicadas por meio de um documento montado em reunião convocada em regime de urgência, e divulgadas pela Associação Desportiva de Futebol Profissional (Adfp).

A
lém do pedido de redução do mandato de Burga, as agremiações querem que o Congresso lhes outorgue maiores poderes no que se refere à gestão do futebol peruano.

Os dirigentes assinalaram que se a punição da Fifa for confirmada no dia 19 de dezembro isso implicará enormes prejuízos na economia dos clubes e em toda a indústria do futebol nacional, com danos irreparáveis, além de afetar severamente o futebol como manifestação social.

O Instituto Peruano do Desporto (IPD) não reconhece a autoridade do presidente da FPF, Manuel Burga, a quem o órgão estatal suspendeu por cinco anos, em 2006. A crise se agravou com a reeleição de Burga em outubro de 2007.

"Acreditamos que com responsabilidade, boa disposição para o diálogo e assunção de compromissos, poderemos superar esta grave e lamentável situação, e aproveitar este contexto para construirmos, juntos, um Sistema de Futebol Peruano melhor, como nosso país merece", afirmaram os clubes peruanos no seu comunicado.

Garoto de 9 anos é contratado pela Roma

Da série "o futebol endoidou":

Caio Werneck, um mineirinho de 9 anos, foi contratado pela Roma, da Itália, para jogar nas categorias de base. Natural de Juiz de Fora, ele foi aprovado em uma peneira realizada com 60 garotos, em Nogueira, próximo a Petrópolis (RJ), segundo informa o site Trivela.


Filho de Israel Werneck, ex-jogador com passagens pelas categorias de base do Vasco e pelo italiano Chivoli, Caio quer virar líbero. Hoje, o menino mora em Roma e divide seu tempo entre as aulas e os treinos de futebol.

Na foto, Caio aparece ao lado de Júlio Baptista, seu colega de clube.


Para ler a matéria completa, clique no
link a seguir:

Postado por Rafael Luis - rafaelluis@opovo.com.br

Fonte: Blog de Esportes do O Povo

Que absurdo! A que ponto chegará a mercantilzação do futebol e da vida?

27 de novembro de 2008

Fifa e Uefa pedem a cassação de toda a diretoria da Federação da Bósnia


A Fifa e a Uefa pediram a cassação de toda a diretoria da Federação de Futebol da Bósnia-Herzegovina (FSBiH) - que tem Munib Usanovic (foto) como secretário-geral - por suspeita de fraudes.

Segundo matéria publicada hoje pelo jornal "Avaz", as duas entidades sugeriram que Usanovic não pode permanecer em seu atual posto, pois existe uma acusação contra ele por supostos desvios financeiros.

"Não é um segredo que se pede a cassação da diretoria completa da Federação", declarou Sulejman Colakovic, membro da Presidência da FSBiH, que se negou a comentar os motivos de tal decisão da Fifa e da Uefa.

Fonte: Agência EFE

Torcedor do Grêmio é liberado e deixa hospital

Nove dias após ter sido atingido por um tiro na cabeça, o torcedor do Grêmio, Lucas Pereira Balardin, de 19 anos, recebeu alta e já está em casa. Com o auxílio de uma enfermeira, ele seguirá o tratamento neurológico tentando normalizar o sistema cognitivo e acelerar sua recuperação.Lucas se envolveu em um conflito entre torcidas após o jogo do Grêmio contra o Coritiba, dia 17. Na confusão, outro torcedor, Marçal Santos, foi atingido no abdômen. Até agora, os dois torcedores não foram convocados pela polícia para prestar depoimentos.

O delegado da Delegacia de Homicídios e Desaparecidos, Bolívar Llantada, afirma que vai esperar um pouco mais, pois tem cerca de 30 dias para concluir a investigação.

26 de novembro de 2008

Estádio Rei Pelé mudará de nome para Rainha Marta

A Assembléia Legislativa de Alagoas aprovou nesta terça-feira, em segunda e última votação, a mudança do projeto de lei que altera o nome do Estádio Rei Pelé para Rainha Marta, em homenagem à jogadora da Seleção Brasileira que foi eleita a melhor do mundo em 2006 e 2007 e é nascida no Estado.

Por 15 votos a seis, a alteração foi aprovada e será encaminhada para a sanção ou veto do governador Teotonio Vilela Filho, o que deve ocorrer em um prazo de 15 dias. A iniciativa parte do deputado Temóteo Correia (DEM), que não aprova o atual nome do principal estádio de Alagoas e considera que será justa uma homenagem à atleta nascida na cidade de Dois Riachos. "O Pelé nunca mencionou a homenagem do povo alagoano em nenhum evento público. Ele não valorizou a presteza e a homenagem do alagoano para com ele", justificou.

Fonte: Terra

25 de novembro de 2008

Fifa teme que crise faça com que pessoas não compareçam a Copa

A Fifa mostrou-se preocupada na segunda-feira com a desaceleração da economia, que pode diminuir a quantidade de visitantes na África do Sul durante a Copa do Mundo de 2010.

Horst Schmidt, consultor da Fifa para os organizadores da próxima Copa, disse que é necessário fazer uma divulgação ampla do torneio nos próximos meses, para convencer os fãs a viajarem para assistir aos jogos, que acontecem entre os dias 11 de junho e 11 de julho de 2010.

"Há a preocupação de que não virá o número de estrangeiros que esperávamos", disse Schmidt, organizador-chefe da Copa de 2006, na Alemanha, e supervisor das preparações da Copa de 2010.

A África do Sul estima que 450 mil pessoas viajem ao país para ver a Copa, embora o número citado pelas autoridades varie entre 900 mil e 300 mil.

"É muito importante divulgar (a Copa) nos próximos meses. Esperamos que os fãs de futebol ainda viajem. É importante que eles participem do evento e sigam seus times", disse Schmidt, que falou na abertura da, convenção internacional de negócios Soccerex.

Danny Jordaan, que tem o mesmo cargo de Schmidt na África do Sul, disse que os resultados positivos das partidas qualificatórias de times europeus como Inglaterra, Alemanha, Itália e Holanda alimentaram a esperança de que haja um bom número de visitantes na África do Sul em 2010.

"Esses times têm uma base enorme de torcedores. Mesmo que estes fãs tenham menos libras ou euros no bolso, eles ainda vão se beneficiar da taxa de câmbio", disse Jordaan.

"A África do Sul se tornou um destino mais barato. Mas o grande estímulo será a crença de que esses times estão tendo bom desempenho".

Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, que discursou na mesma cerimônia, disse que, se a atual desaceleração econômica acontecesse há cerca de 18 meses, a organização da Copa do Mundo seria posta em dúvida.

"Felizmente, boa parte do trabalho já está feito ou quase pronto. Mas ainda há um aumento de preços e esta é uma época difícil para a África do Sul. A Fifa está garantindo que manterá baixo o número de exigências".

Fonte: Agência Reuters

Foi-se o tempo que a Copa do Mundo de Futebol tinha como principal intuito proporcionar momentos de socialização entre desportistas e torcedores de vários cantos do mundo e o consequente desenvolvimento desse esporte. Infelizmente, seguindo a tendência da mercantilização do futebol (e de várias esferas da vida humana) este evento esportivo transformou-se em um enorme balcão de negócios, onde empreiteiras, empresários, políticos e cartolas engalfinham-se para obter o máximo de vantagens financeiras à custa da paixão de torcedores. No entanto, às vezes essa farra dos capitalistas é estregada com a chegada surpresa (mas nem tanto) de uma ilustre convidada, que de tempos em tempos resolve dar o ar de sua graça: a Dona Crise.

Fifa suspende Peru de competições internacionais

A Fifa decidiu nesta segunda-feira suspender o Peru de todas as competições internacionais por causa do conflito entre a federação de futebol e o governo do país, mas não há chance de a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) colocar Internacional ou Fluminense na próxima edição da Libertadores nas vagas das equipes peruanas.

O assunto será resolvido no próximo dia 19 de dezembro, em reunião do Comitê Executivo da Fifa. O mais provável é que, caso a situação da Federação Peruana não seja regularizada, a Conmebol dê uma vaga a mais na Libertadores para três países que seriam definidos por sorteio. Se o Brasil for um desses países, o time que terminar em quarto lugar no Brasileirão não disputará uma vaga na fase preliminar e irá direto para a fase de grupos.

O Internacional tinha esperança de herdar uma das três vagas reservadas aos clubes peruanos se ganhar o título da Copa Sul-Americana (nesta quarta fará o primeiro jogo da final contra o Estudiantes, na Argentina). E o Fluminense sonhava em ser indicado por ter sido vice-campeão do torneio neste ano.

O sorteio que definirá os grupos da Libertadores de 2009 será realizado nesta terça, em Assunção, no Paraguai. As três vagas destinadas aos times peruanos ficarão abertas.

Fonte: Agência Estado


24 de novembro de 2008

Federação croata proíbe exibição de bandeira confederada dos EUA nos estádios

A luta das instituições croatas contra o racismo no esporte adquiriu uma nova dimensão ao proibir a Federação de Futebol do país de exibir a bandeira confederada do Exército sulista dos Estados Unidos (foto) nos estádios.

Segundo informou hoje a imprensa croata, o comissário da federação, Josip Brezni, declarou ilegal o uso da bandeira de batalha do Exército sulista na Guerra de Secessão americana, e que habitualmente aparece no estádio do Hajduk em Split, devido a sua simbologia racista.

Também ficou proibido o cartaz com o lema "White Boys" (Meninos Brancos) pela mesma conotação racista.

Os oficiais da federação consideram que a bandeira pode ser interpretada como símbolo de animosidade contra negros, visto que os insultos contra desportistas de cor nos estádios croatas são bastante comuns.

Fonte: Agência EFE

Bandeiras voltam ao Mineirão


Chargista: Duke

22 de novembro de 2008

Governo peruano ignora ameaças da Fifa e mantém intervenção

O governo peruano segue irredutível nas intervenções promovidas na Federação de Futebol do Peru (FFP). Apesar das tentativas de mudar o quadro feitas pela Fifa com ameaça de excluir os times locais da disputa da Copa Libertadores, o chefe do Instituto Peruano de Esporte, Arturo Woodman (foto), afirmou que nada mudará.

Woodman, que preside uma espécie de Ministério do Esporte do país, se recusa a aceitar Manuel Burga e seus dirigentes aliados no comando do FFP com acusações de que estes não estariam respeitando as leias nacionais, tendo também chegado ao cargo de maneira ilícita.

Tenho que lamentar esta situação que estamos passando, sou consciente que os principais prejudicados serão as pessoas do futebol, mas não fomos nós que ocasionamos e sim a FFP e seu presidente, Manuel Burga, que pensa que é o único homem que pode dirigir o futebol peruano”, disparou Woodman, em entrevista à "CPN".

Assim, o dirigente confirmou que não haverá resolução da questão uma vez que Burga não será aceito no comando do FFP. Woodman ainda revelou que enviou uma carta à Fifa explicando a situação atual no Peru e pediu 30 dias para elaborar um cronograma que possibilite a resolução da questão.

Manuel Burga foi eleito para comandar a Federação de Futebol do Peru em 2007, mas desde então vem enfrentando problemas por não se adequar aos estatutos das leis esportivas definidas pelo Instituto Peruano de Esporte. Além disso, é investigado por má administração e teve suas contas bancárias bloqueadas.

É lamentável o que o futebol peruano está passando e se a Fifa desfiliar o Peru, os únicos prejudicados serão os jogadores, que ficarão em emprego. É necessário que as duas partes [Instituto e Federação] sentem para conversar em busca de uma solução para o problema”, afirmou Teófilo Cubillas, um dos mais famosos jogadores da história do esporte no Peru.

Fonte: Gazeta Press

Fifa dá últimato à Federação Peruana de Futebol

Na última sexta-feira (21), Joseph Blatter, presidente da Fifa, a maior entidade do futebol muncial, de um ultimato à Federação Peruana de Futebol (FPF) para que esta resolva o mais depressa possível a disputa que mantém com o governo local. Caso isso não ocorra, Blatter afirmou que a FPF será suspensa de todas as competições internacionais.

O presidente da Fifa, que está no Chile, onde participou da abertura do Mundial Sub-20 de futebol feminino, afirmou que a situação do Peru constitui uma intervenção inaceitável da política no futebol.

Blatter estabeleceu o prazo de até a próxima segunda-feira (24) para que o governo peruano e a FPF enviem um documento à Fifa comprometendo-se a solucionar o conflito. Se não recebermos o documento, a Fifa suspenderá imediatamente a federação peruana”, afirmou o dirigente.

A confusão entre as entidades peruanas acontece, pois o o governo local não reconheceu a eleição de Manuel Burga (foto) como presidente da FPF. Uma das consequências desse desentendimento foi a alteração da sede do Campeonato Sul-amareicano Sub-20, que aconteceria no Peru, mas foi transferido para a Venezuela.

Diante do ultimato dado pela Fifa, Burga afirmou que está disposto a negociar com as autoridades locais. Contudo, de acordo com a sua declaração à Radio Programas do Peru (RPP), a outra o governo estaria dificultando o acordo.

"A FPF fez todos os esforços para escrever um documento conjunto em busca de uma saída, mas o Instituto Peruano do Esporte (IPD) não teve a intenção de aprová-lo", comentou Burga.

Porém, o chefe do IPD, Arturo Woodman, assegurou que o governo manterá a posição de não reconhecer Burga como mandatário da federação peruana e informou que enviou uma carta a Fifa, expondo o ponto de vista do governo. Por outro lado, Burga negou a possibilidade de renunciar o seu cargo para dar uma saída ao enfrentamento. "Muitas pessoas podem pensar que a minha renúncia pode ser uma solução para o problema, mas, hoje em dia, só devemos avançar no tema em relação aos requerimentos da Fifa e sentarmos em uma mesa de diálogo para resolver a situação", afirmou o presidente da FPF.

Caso a Fifa confirme a exclusão do Peru das competições internacionais, os clubes do país não disputariam a Copa Santander Libertadores de 2009. O Internacional está tentando tirar proveito dessa situação. Dirigentes do clube gaúcho estão tentando fazer com que a Copa Sul-Americana se transforme em um caminho para a Libertadores. Finalista da Sul-Americana, o time brasileiro irá decidir o título com o Estudiantes e o presidente do Internacional, Vitório Píffero, quer que o campeão herde a possível vaga deixada pelos times peruanos.


Fonte: Cidade do Futebol

Jogos do Ferrão na fase classificatória do primeiro turno

O Ferroviário Atlético Clube já conhece os detalhes de todas as suas partidas no primeiro turno do Campeonato Cearense 2009.

Após a estréia, dia 11 na Barra contra o Horizonte, o clube coral terá uma sequência de quatro difíceis jogos em duas semanas: dois clássicos e os outros dois no interior. Depois, o Ferrão faz mais duas partidas na Vila Olímpica Elzir Cabral, intercaladas com outras duas fora de casa.

Confira todos os compromissos corais na fase classificatória do 1º turno, de acordo com tabela divulgada esta semana pela Federação Cearense de Futebol*.

Data Horário Jogo Local
11/01 - Domingo 16h30 Ferroviário x Horizonte Estádio Elzir Cabral
15/01 - Quinta 20h30 Quixadá x Ferroviário Estádio Abilhão
18/01 - Domingo 16h30 Ferroviário x Ceará Estádio Castelão
21/01 - Quarta 20h30 Boa Viagem x Ferroviário Estádio Serjão
25/01 - Domingo 16h30 Fortaleza x Ferroviário Estádio Castelão
28/01 - Quarta 20h30 Ferroviário x Itapipoca Estádio Elzir Cabral
01/02 - Domingo 15h00 Icasa x Ferroviário Estádio Romeirão
04/02 - Quarta 20h30 Ferroviário x Guarany Estádio Elzir Cabral
08/02 - Domingo 15h00 Maranguape x Ferroviário Estádio Moraizão

Os confrontos diante de Quixadá, Icasa e Maranguape terão transmissão ao vivo pela TV.

* A tabela poderá sofrer modificações a critério do Departamento de Futebol Profissional da FCF.

Fonte: Portal oficial do Ferroviário

21 de novembro de 2008

Bandeiras podem voltar aos estádios de Belo Horizonte

Uma reunião, realizada na manhã desta quarta-feira (19), irá rever a proibição das bandeiras dentro dos estádios de Belo Horizonte. Há três anos, o artigo foi banido das arenas por medida de segurança.

Do encontro convocado por Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, na sede da Secretaria de Estado de Defesa Social, participarão além do diretor da pasta, Maurício de Oliveira Campos Junior, dirigentes de Atlético, Cruzeiro e América, os três grandes clubes de Belo Horizonte, o comandante geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Hélio Santos Junior, e um representante do Ministério Público.

A volta das bandeiras aos estádios foi uma das promessas de Kalil quando buscava votos dos conselheiros para a sua eleição no Atlético-MG. O presidente do time mineiro pretende que a medida seja aceita para que a torcida seja autorizada a entrar com bandeiras já no confronto contra o Santos, último jogo do Atlético-MG como mandante no Campeonato Brasileiro 2008, marcado para o próximo dia 30 de novembro.

O presidente eleito do Cruzeiro, Zezé Perrella, atual vice de futebol, diz concordar com a liberação das bandeiras, desde que se garantindo a segurança pública. "Sempre achei bacana as bandeiras, mas é uma questão de segurança, de Corpo de Bombeiro, de Polícia. Se der para voltar, ótimo. Talvez usando-se um mastro de plástico ou algo assim. A gente não entende porque o Maracanã pode e aqui não pode. Tem que ter uma coerência", disse.

As bandeiras estão proibidas nos estádios de Belo Horizonte, desde o final de 2005, por questão de segurança, em iniciativa tomada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais, por intermédio da Promotoria de Defesa do Cidadão, em parceria com a Polícia Militar. A proibição já havia acontecido em 2002, após confrontos entre torcedores de Atlético e Cruzeiro em um clássico no Mineirão. Na primeira vez, a punição durou dois anos, sendo liberado o uso em 2004. Um novo confronto entre torcedores do Atlético e Cruzeiro no ano seguinte, desta vez em uma estação de ônibus, que resultou na morte do torcedor do time cruzeirense Francisco Aguinaldo Felício, levou à nova proibição, que permanece em vigor até hoje.

Além dos dirigentes de clubes importantes da capital mineira a iniciativa de liberarem-se as bandeiras nos estádios da cidade é apoiada pela maioria dos jogadores e técnicos dos clubes locais. Na opinião deles, o espetáculo proporcionado pelas torcidas fica mais bonito quando as bandeiras estão presentes.

Caso as bandeiras sejam liberadas, as torcidas, em conjunto com as autoridades locais deverão fazer uma campanha de conscientização dos torcedores para que seja mantida a paz nos estádios e para que a bandeira seja usada exclusivamente para torcer.

Fonte: Cidade do Futebol

19 de novembro de 2008

Briga entre torcidas do Grêmio teria motivação racista

A briga entre parte da torcida do Grêmio, que deixou dois feridos na noite deste domingo, pode ter tido motivação racista. De acordo com um dos líderes da torcida Máfia Tricolor, um integrante de um grupo chamado GAS (Geral Ataque Surpresa) teria disparado contra dois outros gremistas por terem ficado descontentes ao verem homenagens a personalidades negras da história do clube.

Eles são extremamente racistas. Eles estão contra nós desde que colocamos nossa bandeira do Lupicínio Rodrigues – contou Fábio, que pediu para não ter o sobrenome identificado, ao repórter Fábio Almeida, da Rádio Gaúcha.

Após homenagear em uma faixa o famoso compositor e autor do hino do clube, a torcida do Grêmio confeccionou uma bandeira com o rosto de Everaldo, ex-jogador gremista e único atleta de clubes do Rio Grande do Sul a participar da conquista da Copa de 1970 pela Seleção Brasileira. Segundo Fábio, isto motivou a briga que acabou com os gremistas Lucas Ballardin, 19 anos, e Marçal Santos, 30 anos, baleados.

Eles ficaram acuados no bar deles, na José de Alencar. Quando eles recuaram, veio um carro para nos atropelar. Quando ele parou em frente ao bar deles, um elemento deu dois disparos para cima. Um segundo elemento tirou a arma da mão do primeiro, disse "eu mato este p..." e efetuou os disparos que acertaram nossos amigos – explicou Fábio.

A briga envolveu dezenas de torcedores do Grêmio após a partida contra o Coritiba no Estádio Olímpico. O confronto ocorreu na Rua José de Alencar, próximo ao Largo dos Campeões, no bairro Azenha, por volta das 21h30min. Lucas e Marçal passaram por cirurgias na madrugada desta segunda no Hospital de Pronto-Socorro.

Fonte: clickRBS


18 de novembro de 2008

Funcionário mais antigo do Ferrão comemora aniversário

A torcida coral celebrou no último dia 15 o aniversário de um dos mais competentes colaboradores do Tubarão da Barra: Francisco Pereira dos Santos, o Chicão, supervisor do Ferroviário e mais antigo funcionário do clube em atividade.

Completando 58 anos de idade, Chicão tem uma grande folha de serviços prestados ao Ferrão em mais de 20 anos de carreira. Em novembro de 2006, Chicão foi homenageado pelo Site Oficial do Ferroviário (foto) com uma placa em agradecimento à sua dedicação e competência. Basta dizer que o nome do clube nunca esteve envolvido com utilização irregular de atletas ou coisas do gênero.

Fonte: Portal oficial do Ferroviário

A Ultras Resistência Coral congratula o companheiro Chicão pela dedicação e lealdade ao nosso Ferrão! Parabéns Chicão!

17 de novembro de 2008

Trabalhadores da bola


“É preciso ter o futebol no sangue, e a gente, neste momento, não duvida de que qualquer laboratório detectaria a sua presença nas veias de cada brasileiro, numa mistura balanceada com glóbulos brancos e vermelhos” (Mino Carta – em editorial da Revista Isto É – nº 212 – jan/81)

Há quase dez anos, perguntávamos em um artigo (“O Fenômeno cultural chamado futebol – uma proposta de Estudo”):


... Que segredo é esse do futebol que faz com que 130 milhões de brasileiros – uns vítimas da seca do Nordeste, outros das enchentes do Sul, a maioria vítima de um sistema que deles suga toda a vontade de resistir-, de repente, como que tocados por uma varinha mágica, por um feitiço coletivo, permanecem durante noventa minutos presos à magia de 22 homens (ou deuses?) dentro de um campo de futebol? Que encantamento é esse do futebol que faz surgir de todas as esquinas do país, das palafitas cobertas de folhas de babaçu às suntuosas residências dos coronéis, a mesma emoção, o mesmo sofrimento, a mesma alegria contagiante no instante do gol, como se aquele momento supremo do jogo de bola fosse capaz de anular as diferenças sociais? Que mistério é esse do futebol que faz surgir do orçamento deficitário do povo uma inesperada reserva para o deslocamento até os grandes estádios (...), para a compra de rojões, panos e tintas para as faixas visando a saudação de seus ídolos e para a leitura de toda a gama de jornais e revistas, especializadas ou não, pois todas reportam-se a ele, futebol? Que fenômeno é esse do futebol, capaz de viabilizar a união de todos (ainda que circunstancial e provisoriamente) em torno de um ideal comum – como por ocasião dos Campeonatos Mundiais -, aproximando os extremos e congraçando todas as correntes de pensamento, união esta por demais tentada e poucas vezes alcançada em outros momentos da vida nacional?

(...) Serão as respostas a essas perguntas a demonstração de estar no futebol uma espécie de reafirmação do espírito brasileiro, de sublimação dos seus problemas, da sua capacidade de luta e de seu desejo de marcar a sua posição no cenário internacional? Quais serão seus verdadeiros valores? O que faz despertar tantas paixões? Qual a razão de sua tamanha identificação com o brasileiro?...


De lá para cá assistimos, ao lado das preocupações com a evolução técnica e tática do jogo de bola, um crescer de reflexões e debates nos quais ele, futebol, é reconhecido como uma das práticas sociais mais significativas do mundo contemporâneo e, em nosso país, identificador da nossa cultura corporal esportiva.


Quantos de nós não tivemos, em nosso nascimento, um par de chuteirinhas penduradas orgulhosamente por nossos pais ou avós nas portas dos nossos quartos? Somente neste ano de 1994 – ano de Copa do Mundo – passa de uma dezena os lançamentos de livros retratando o futebol em suas mais distintas facetas, nenhum deles, entretanto, com a propriedade de Mario Filho, no clássico de 1947, O negro no foot-ball brasileiro, reconhecido por Gilberto Freire, que o prefacia, como um verdadeiro tratado antropológico da sociedade brasileira.


Pois é neste clima de festa e euforia que milhões de brasileiros – crianças em particular – sonham, um dia, vestir a camisa da seleção de seu país ou, mais modestamente – porém não muito – de um dos grandes clubes estrangeiros ou – vá lá – aqui da “terrinha” mesmo. Afinal de contas, já se acostumaram a acompanhar, pela mídia, notícias dos milionários (em dólares, é claro) contratos dos astros esportivos, que lhes permitem ostentar um padrão de vida invejado pela maioria da população que, como a Maria cantada por Milton Nascimento, não vive, apenas agüenta.


Como contraponto, portanto, ao clima festivo mencionado, como também a esse processo de ideologização sustentador do mito da ascensão social através do esporte, vale a pena nos reportarmos a alguns dados fornecidos pela Confederação Brasileira de Futebol, publicados pela Folha de São Paulo, em 19 de janeiro último, alusivos à remuneração do atleta de futebol profissional – os trabalhadores da bola – no ano de 1993.


Conforme as informações fornecidas pela CBF, 19,25% deles ficaram na faixa dos que receberam valores correspondentes a 1 salário mínimo; 51,38% - de 1 a 2; 19,60% - 2 a 5; 6,77% - de 5 a 10. Apenas 3% do total de jogadores receberam salários acima de 10 salários mínimos. Resumindo: 90,23% dos trabalhadores da bola obtiveram uma remuneração mensal da ordem de 1 a 5 salários; 70,63% deles receberam, por mês, de 1 a 2 salários.


Por fim, por conta das normas que regem as relações trabalhistas dos atletas profissionais de futebol – ratificadas pela Lei Zico (L. 8672/93), que veio em nome da modernização do esporte no Brasil-, mais correto seria nos referirmos a eles como escravos da bola, pois talvez sejam, hoje em dia, dos últimos trabalhadores a não possuir a propriedade de sua força de trabalho, a qual, motivada pela famigerada Lei do Passe, fica quase sempre nas mãos dos clubes ou, mais apropriadamente, nas dos empresários (gatos?) do esporte. Aí está algo que um Governo Popular e Democrático não pode deixar de combater. Por isso, vamos ao trabalho e... salve a seleção, que ninguém é de ferro!

*Lino Castellani Filho é Doutor em Educação, docente da Faculdade de Educação Física/Unicamp, pesquisador-líder do "Observatório do Esporte" – Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer - CNPq/Unicamp, e foi Presidente do CBCE (1999/2003).

Evo Morales participará de corrida de automóveis na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales (foto), participará de uma corrida de automóveis programada para o final de novembro, que percorrerá estradas do país.

A informação foi confirmada à Agência Efe pelo vice-ministro de Esportes, Miguel Aguilar, que exercerá a função de co-piloto.

Aguilar disse à Efe que ele e Morales aceitaram o convite para o Grande Prêmio Nacional de Automobilismo, que será disputado entre os dias 27 de novembro e 3 de dezembro.

"O presidente dedica muito ao esporte e não quer ficar indiferente ao automobilismo", disse.

A prova percorrerá boa parte do país e os pilotos terão que passar por estradas de asfalto e terra.

Esta não seria a primeira investida de Morales no mundo dos esportes. O presidente boliviano já disputou algumas partidas de futebol, inclusive na companhia do astro argentino Diego Maradona.


Fonte: Agência EFE


14 de novembro de 2008

Racismo é raro na Espanha, diz campanha para Madri-2016

Madri é um lugar tolerante que recebe bem os estrangeiros e onde os incidentes de racismo são raros, disseram autoridades que estão promovendo a candidatura da cidade para os Jogos Olímpicos de 2016 nesta quinta-feira.

A capital espanhola está na disputa pelo direito de sediar os Jogos de 2016 com as cidades do Rio de Janeiro, Chicago e Tóquio. O vencedor será escolhido pelo Comitê Olímpico Internacional em outubro do ano que vem.

Incidentes isolados de racismo em eventos esportivos na Espanha mancharam a imagem do país nos últimos anos, levando a temores de que as chances da cidade podem ser ameaçadas.

"Madri é uma cidade tolerante, mesmo se for verdade que houve alguns incidentes provocados por uma minoria que de maneira alguma representa a atitude geral dos residentes da cidade", disse a chefe da candidatura, Mercedes Coghen (foto), na quinta-feira em um evento na cidade.

Um vídeo curto promovento a candidatura olímpica, com mensagens de apoio de jogadores de futebol como o zagueiro brasileiro naturalizado português Pepe e o defensor tcheco Tomas Ujfalusi, do Atlético de Madri, também foi apresentado.

"O esporte é uma arma no arsenal da tolerância", disse Coghen, apontando que uma série de iniciativas educacionais foram lançadas e o filme seria exibido nas escolas da cidade.

A decisão de Madri de abordar o assunto da integração e da tolerância segue um incidente deste mês, quando a imprensa reportou que o atacante camaronês Samuel Eto'o, do Barcelona, foi vítima de cantos racistas da torcida em um partida do Campeonato Espanhol em Málaga.

Em outro incidente no início da temporada, o equatoriano do Getafe Joffre Guerron sofreu abusos raciais da torcida durante uma partida contra o Sporting Gijon, de acordo com a súmula do árbitro do jogo .

Separadamente, mensagens de ódio tendo como alvo o campeão mundial de Fórmula 1 Lewis Hamilton foram postadas em um site espanhol.

Hamilton, o primeiro piloto negro da Fórmula 1, também sofreu insultos raciais de torcedores durante testes em Barcelona em fevereiro. Depois do incidente, a FIA lançou uma campanha contra o racismo.


Fonte: Agência Reuters


Juventude se defende e questiona denúncia de racismo

Além dos prejuízos com a derrota por 2 a 1 para o Corinthians, na quarta-feira, que o deixou com chances mínimas de classificação à Série A do Campeonato Brasileiro, o Juventude convive com mais uma acusação de racismo, agora do goleiro corintiano Felipe, feita após a partida. É outro caso que se soma a um histórico recente desfavorável nos últimos anos.

Apesar da ocorrência de outros problemas, o presidente do Juventude, Sérgio Florian, colocou em dúvida a denúncia do goleiro. "É uma situação tendenciosa, com algum interesse que a gente não sabe bem qual é", afirmou. Segundo o dirigente, serão analisadas as imagens do circuito interno de vídeo do estádio para avaliação do comportamento de Felipe, do técnico Mano Menezes e dos reservas do Corinthians, para a verificação de alguma atitude que possa ter motivado a reação da torcida.

Florian reclamou da falta de atitude do gerente de futebol do Corinthians, Antônio Carlos. O jogador, que esteve envolvido num caso de acusação de racismo quando era jogador do Juventude, nada fez agora. "É estranho que ele, que teve um problema pessoal aqui, não tenha conversado com o Felipe para dizer que essa não é a política do Juventude. O clube não aprova isso".

O presidente considerou que o caso tomou uma dimensão exagerada. "O torcedor vai a campo para extravasar, a mãe do juiz sempre é premiada. Daqui a pouco não será permitido nenhum xingamento". Florian ainda disse que, conforme o desenrolar do caso, ele pode acionar Felipe judicialmente, "porque o clube está sendo difamado e posto em xeque".


Fonte: Agência Estado


13 de novembro de 2008

[EUA] Morreu um grande homem, um grande anarquista, Harold Thompson

Harold Thompson morreu na madrugada do dia 11 de novembro, depois de sofrer um ataque cardiaco na prisão onde se encontrava cumprindo cadeia perpétua, no Tennessee.

“Sou anti-autoritário, anti-racista, anti-sexista, anarquista revolucionário de orgulhosa raiz irlandesa. Também sou vegetariano e apóio ferventemente o movimento de liberação animal. Represento os direitos civis/humanos e não vou descansar, nem me inclinarei nem deixarei ser intimidado. Solidarizo-me com todas as pessoas que lutam contra a opressão, mas particularmente com meus irmãos e irmãs do movimento anarquista”.

Harold H. Thompson (1942-2008)


Para quem não conheceu a história de Harold H. Thompson, ele era um prisioneiro anarquista cumprindo cadeia perpétua no Tennessee, nos Estados Unidos. Pertencia a primeira geração de irlandeses-americanos, nasceu em 9 de abril de 1942, em Huntigton, Virginia, onde seus pais se estabeleceram depois de fugirem dos “problemas” na Irlanda do Norte.

Harold passou sua infância num ambiente politicamente efervescente, onde a política era um tema comum de debates. Interessou-se pelo anarquismo muito cedo, depois de ouvir as conversas entre seu pai e amigos. Sua afinidade com o anarquismo se consolidou depois de realizar o serviço militar durante a guerra do Vietnã, onde foi dispensado depois de ser ferido. Em seguida participou ativamente do movimento anti-guerra, associado no grupo “Veteranos do Vietnã Contra a Guerra” durante as décadas de 60 e 70, a era da desobediência civil e da luta de massas nos Estados Unidos. Desde o fim da década de 60 em diante, Harold teve reiterados conflitos com a polícia e o sistema legal estadunidense, juntando dinheiro para sobreviver e realizando atividades de corte político fora da lei. Passou um tempo nas prisões de Ohio, Georgia e Tennessee, como resultado destes atos de expropriação.

Harold teve dois filhos (com diferentes mães); a mãe do filho maior foi assassinada em 1978. Seu assassino, Walter Douglas Crawley foi sentenciado à pena perpétua, mas logo liberado depois de uma apelação para converte-se num informante da polícia. No mesmo dia em que foi libertado, Crawley foi ouvido por casualidade ameaçando o filho de Harold e outro menino que haviam testemunhado contra ele no julgamento.

Crawley pensou que “não tinha nada a perder” depois de sua libertação. Em Chattanooga, quatro dias mais tarde, era outubro de 1979, Crawley foi baleado num bar; seu agressor fugiu num carro. Ao passar dez dias, e de um amplo pedido de captura contra Harold, este foi preso e acusado de tentar assassinar Crawley. Também foi acusado de expropriar dinheiro de uma joalheria para financiar atividades políticas. Por estes incidentes, Harold foi sentenciado a 50 anos de prisão após passar por uma série de julgamentos notadamente ridículos e parciais.

Mais tarde, Harold foi castigado com 21/75 anos por um tiroteio que ocorreu em Cleveland, Ohio. Neste período, sofreu uma agressão que o deixou em coma durante três semanas. Foi realizada uma cirurgia cerebral e diagnosticado epilepsia.

Em novembro de 1986, Harold passou 5 anos e 4 meses numa prisão de máxima segurança/incomunicável após uma fracassada tentativa de fuga numa prisão do Tennessee. Foi acusado de tentativa de homicídio de três guardas, o seqüestro de um deles como refém, posse de explosivos e armas perigosas e tentativa de fuga. O juiz sentenciou Harold a mais 31 anos adicionais.

Em julho de 1993, depois de ter saído da prisão de máxima segurança, foi acusado de ter um plano de fuga, segundo se afirmou, com base em dados de um “informante confidencial” de fora da prisão. Foi transferido novamente para a prisão de máxima segurança/incomunicado.

Harold realizava um trabalho jurídico dentro das prisões, que consistia majoritariamente em apontar as falhas nos julgamentos, dos abusos, dos direitos violados etc. dos prisioneiros. Essas atividades trouxeram para ele diversas provocações e fustigamento por parte dos guardas/carcereiros, especialmente por que Harold ajudava os prisioneiros negros, algo que no Sul dos EUA não é bem visto, devido ao alto grau de racismo naquela região.

Em março de 1999, Harold foi atacado dentro da sua cela, por membros da “irmandade ariana”. Harold sofreu feridas internas no lado esquerdo do seu crânio e num olho. Mais tarde descobriu-se que tudo foi armado pela bibliotecária da prisão. Ela utilizava seu emprego para passar “material fascista” aos membros da “irmandade ariana”, que também cumpriam pena na prisão “Industrial de Turney Center”. Na prisão de “Turney Center”, Harold teve acesso a telefone, exercícios físicos quatro dias da semana e mais flexibilidade com as visitas. Se bem que Harold recebia poucas visitas.

As formas de castigo que Harold recebeu por seu compromisso em ajudar seus companheiros de prisão e por ser anarquista foram realmente abrasivos para o sistema prisional norte-americano.

Harold enfrentou uma série de incidentes de intolerância e acoso na prisão, desde confisco de sua literatura anarquista, de seus livros jurídicos, danos premeditados e roubo de objetos pessoais.

Harold sempre dizia que “eles querem me ver morrer na prisão”. E eles conseguiram. Malditos!

Que a terra te seja leve, companheiro!

Mais infos: http://www.haroldhthompson.uwclub.net/

Fonte: Agência de Noticias Anarquistas - ANA

12 de novembro de 2008

Atraso de salários a atletas deveria causar rebaixamento em Portugal, avalia sindicato

“Quem não pagar salários, desce de divisão”. É esse o procedimento defendido por Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol de Portugal (SJPF). Nesta segunda-feira, o mandatário do órgão disse vai propor que os clubes com os ordenados de seus atletas em atraso sejam rebaixados de divisão, tal qual ocorre na Espanha.

Lá, houve um acordo entre a Liga e o Sindicato para que os clubes que mantivessem salários em atraso fossem despromovidos. Eu acho que essa é uma boa medida e não fica mal copiar o que está bem feito. Tornei pública [a opinião] porque permite um debate dos próprios agentes do futebol sobre a mesma, mas vou apresentá-la amanhã (terça-feira) ao presidente da Liga e, seguidamente, ao Secretário de Estado do Desporto”, disse Evangelista, em entrevista à Agência Lusa.


O Estado garantiria, assim, o pagamento aos jogadores das remunerações em atraso por intermédio das verbas auferidas pelo Totobola, espécie de loteria local.


Em relação à posição do treinador do Estrela da Amadora, Lito Vidigal, que disse não ter condições para continuar no clube, devido aos salários em atraso, o presidente do SJPF foi claro:


Era importante que essas medidas tivessem conseqüências, porque, no futebol português, fazem-se muitas ameaças, muitas críticas e muitos reparos, mas, depois, não se levam até ao final os nossos atos”, apontou.



Muitas vezes os jogadores compactuam com essas situações, suportando, mês após mês, e a situação agrava-se, porque os incumpridores já perceberam que os jogadores não concretizam aquilo que se propõem fazer”, completou Evangelista.


Enquanto não houver mudanças na regulamentação, e a própria Liga não alterar os pressupostos financeiros, entretanto, não deverá haver consequências para os clubes que não cumpram as suas obrigações.


Fonte: Cidade do Futebol


De acordo!