23 de agosto de 2010

Da Copa ao 'Comando Africano' do USA

Hugo R. C. Souza

O esmero dos velhos e novos demagogos em prol do embuste da "Copa do Mundo social" é gigantesco. Na África do Sul ainda segregacionista, ainda injusta, e ainda governada por lacaios das potências e, portanto, ainda semicolônia, o corrupto Jacob Zuma, gerente sul-africano, e o corrupto Josef Blatter, chefe da todo-poderosa e bilionária Federação Internacional de Futebol (Fifa), juntaram-se no show de abertura da Copa para insistir na ladainha de que começava ali uma festa do povo. Mais agigantado ainda, entretanto, é o ânimo das massas sul-africanas oprimidas para desmascarar a burguesia festeira de riso fácil.

À farsa dos "centros sociais" erguidos pela transnacional escravocrata de materiais esportivos Nike no bairro popular do Soweto, ao embuste da campanha "1 Goal", com a qual a Fifa tenta emplacar a cobrança genérica e inócua por educação para todas as crianças africanas como contraponto ao alto faturamento dos ricos na Copa, à falácia dos "benefícios sociais" que a Copa, dizem, trará para os povos da África em geral e para o povo sul-africano em particular, a tudo isso, as massas trabalhadoras respondem com mobilizações e retumbantes protestos contra as políticas de degradação das condições de vida e de exploração extremada da mão de obra local avalizadas pela gerência Zuma, e das quais tiram proveito os organizadores do evento, seus patrocinadores oficiais e as empreiteiras contratadas para erguer os estádios e fazer outras obras no país sede do campeonato mundial de futebol profissional.

Exemplo disso foi a manifestação de cerca de 400 operários realizada logo após a partida da Copa entre Alemanha e Austrália, na cidade de Durban no dia 13 de junho, em frente ao estádio Moses Mabhidas. A revolta dos trabalhadores explodiu porque, enquanto transnacionais como Visa, Adidas, Sony e Coca-Cola colocavam seus painéis publicitários no estádio, os operários que ergueram a arena esportiva tiveram seus pagamentos cortados em mais de um terço, de 250 rands por dia, o equivalente a míseros US$ 33, para ainda mais míseros 190 rands.

Os 'embaixadores' do Africom

Enquanto transcorre a lucrativa festa futebolística promovida pela Fifa, por uma dúzia de transnacionais e pelo governo oportunista da África do Sul, acirra-se a corrida imperialista em todo o continente africano, seja por meio dos chamados investimentos estrangeiros diretos, terreno onde a China revisionista vem ganhando espaço com uma massiva compra de terras junto às classes dominantes locais, seja pelo caminho da "ajuda humanitária", corolário politicamente correto que visa amenizar a truculência dos esforços pela partilha do mundo, ou ainda pela via clássica e cara mais evidente da ferocidade imperialista: o aumento da presença militar.

É neste cenário que o USA vem reforçando seus esforços de dominação na África por meio do seu chamado "Comando Norte-Americano para a África", o Africom. Trata-se de um destacamento do exército ianque alocado no continente africano para garantir os interesses dos monopólios do USA naquela tão castigada região do mundo, cujos povos vêm há séculos sendo penalizados pelos processos de colonização e recolonização por parte das potências. Os chefes militares do Africom chegam a ser chamados de "embaixadores".

No último dia 13 de junho, por exemplo, dia seguinte à abertura da Copa do Mundo, o chefe adjunto do Africom, o "embaixador" Tony Holmes, chegou a Cabo Verde, na costa oeste da África, a fim de "reforçar a cooperação" entre o USA e o arquipélago cabo-verdiano, onde já existe um Centro de Operações de Segurança Marítima (COSMAR) financiado pela Casa Branca.
Criado em outubro de 2007, o Africom se encontra sediado em Stuttgart, na Alemanha (país onde há o maior número de bases militares ianques fora do USA), contando com um efetivo de 1.300 funcionários civis e militares, mas seus comandantes estão procurando o melhor lugar para instalar um grande destacamento em solo africano, e os governos da Libéria e do Marrocos já se oferecem para receber as tropas do famigerado comando.

Fonte: A Nova Democracia

20 de agosto de 2010

Diversidade dá espaço a ações políticas

3ª edição da Semana da Diversidade, realizada em agosto, será caracterizada pela maior politização de suas atividades

Neste ano, a Semana da Diversidade, que passa a fazer parte do calendário de comemorações do aniversário de Bauru, decidiu adotar um mote mais abrangente para despertar a consciência de toda a população de Bauru. Utilizando seu potencial de mobilização, que reuniu mais de 15 mil pessoas sob chuva na avenida Nações Unidas em 2009, a Associação Bauru pela Diversidade (ABD) vai abordar a temática da violência nas ações de 2010.

Desta vez, os organizadores do evento, Rick Ferreira, Marcos Souza e João Winck, todos da ABD, decidiram utilizar esse poder de mobilização para abrir uma discussão acerca de um fator que tem forte influência sobre a sociedade como um todo: a violência.

Portanto, a 3ª Semana da Diversidade de Bauru terá como tema principal o slogan “Eu amo a vida: diga não à violência”, sendo comemorada entre os dias 23 e 29 de agosto. Mas esta iniciativa será utilizada apenas como o catalisador das ações que devem nascer em consequência da movimentação criada durante a semana, destaca João Winck, conselheiro da ABD, durante divulgação do projeto realizada ontem no Café com Política do JC.

“A Semana da Diversidade vai servir como um catalisador para as ações contra a violência. Pretendemos que este período funcione como a abertura da discussão deste importante tema perante a sociedade. Depois do lançamento deste projeto, esperamos que os trabalhos relativos à busca por soluções para os problemas gerados e geradores da violência se intensifiquem”, define Winck.

Agenda

Contando com o apoio da Prefeitura Municipal de Bauru e suas secretarias de Bem-Estar Social (Sebes), Meio Ambiente (Semma), Cultura, Esportes, Educação, Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Saúde, a associação tem como pauta principal de sua iniciativa a criação de uma agenda unificada entre as instituições.

Esta agenda unificada representa a esquematização de um planejamento coletivo entre os poderes público, privado e representações da sociedade civil, realizando a união de objetivos sociais e esforços institucionais para a promoção de ações concentradas em uma mesma direção, o que representaria mais força para o movimento contra a violência, segundo Wink. “Com esta abordagem, os movimentos poderão adquirir mais força para adentrar espaços onde anteriormente eram barrados, além de possibilitar a realização de trabalhos contínuos que podem trazer resultados mais efetivos para toda a sociedade. A agenda unificada pode tornar as ações mais consistentes e criar a possibilidade para elas serem contínuas, atuando durante todo o ano para melhorar a sociedade”, frisa o conselheiro da ABD.

União

Os projetos criados para abordar a violência e suas diversas manifestações serão idealizados pela ABD, pelas secretarias municipais, por conselhos, associações de bairro, Organizações Não-Governamentais (ONGs) e demais instituições que representam a sociedade civil. De acordo com Wink, todos os projetos que possam trazer benefícios para a sociedade poderão ser explorados e utilizados na prática.

Um dos projetos propostos pela ABD que encontra-se em estágio avançado de instauração é o Cine Fórum. A iniciativa será promovida em parceria com a ONG Periferia Legal e vai ocorrer em cinco escolas estaduais de bairros periféricos da cidade, sendo eles o Núcleo Mary Dota, Vila São Paulo, Jardim Ferraz, Parque Santa Edwirges e Jardim Redentor.

A iniciativa conta com um planejamento para a exibição de filmes que remetam à reflexão sobre temas ligados à violência. Depois da apresentação desses filmes, as escolas se transformarão em palcos de discussões, sempre intermediadas por especialistas que terão a função de expandir as argumentações e elucidar o público sobre os problemas da violência.

Evento realizado em agosto vai pedir paz

Entre os dias 23 e 29 de agosto será realizada a 3ª Semana da Diversidade de Bauru, que tem apoio do Jornal da Cidade. Neste ano, o evento terá como tema o slogan “Eu amo a vida: diga não à violência”, que será lançado durante a cerimônia de abertura do dia 23. A programação do primeiro dia da Semana da Diversidade vai contar com a entrega dos prêmios “Eu Faço a Diferença” às cinco personalidades e cinco empresas que contribuíram com o fortalecimento e o respeito à diversidade na cidade.

Por sua vez, como já se tornou tradição, o último dia é quando será realizada a marcha cívica da 3ª Parada da Diversidade. O desfile terá início na Praça da Paz, a partir das 13h, onde todos se reunirão para passar pela avenida Nações Unidas às 15h, com destino ao Parque Vitória Régia, que será palco do Show da Diversidade.

Neste ano, o colorido do desfile que representa a diversidade dividirá espaço com o branco, que aparece para representar a indignação diante da recente onda de violência que atinge a cidade e da intolerância que permanece na sociedade.

Maiores informações:

http://paradabauru.blogspot.com/

http://www.baurupeladiversidade.org.br/

Marcos Souza (14) 9171-5739
Coordenador da ONG

Rick Ferreira (14) 9171-5738
Coordenador da ONG

João Winck (14) 9171-5750
Primeiro Conselheiro

Paulo Rafael (14) 8171-1812
Assessoria de imprensa

E-mail:

contato@baurupeladiversidade.org.br

imprensa@baurupeladiversidade.org.br

Comunidade da ABD:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=38604650

Comunidade da Parada:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=62519817

Burguesia cria polícia para reprimir torcedores da Copa de 2014

O estado de sítio que a burguesia está impondo à população não tem limites. Não bastasse todas as medidas repressivas e as inúmeras polícias criadas para reprimir os trabalhadores, o governo de São Paulo anunciou a criação de mais uma polícia para a Copa do Mundo de 2014.

O futebol é sem dúvida uma das maiores paixões dos brasileiros e é justamente por isso que a burguesia impõe uma verdadeira ditadura aos torcedores, uma vez que esse esporte como já aconteceu em outros momentos pode se transformar em um pólo aglutinador, o que amedronta a burguesia que não permite sequer que os torcedores levantem bandeiras de protesto dentro dos estádios. A perseguição e campanha contra as torcidas organizadas já chegou a tal nível que os governos burgueses chegaram inclusive a tentar proibi-las, medida que obviamente não foi posta em prática graças à pressão dos torcedores.

Para se ter idéia do clima repressivo, a burguesia já está montando toda uma operação para perseguir a população trabalhadora durante a Copa 2014 que será realizada no Brasil. O primeiro Estado a anunciar medidas repressivas foi São Paulo, ou melhor, o governo do PSDB e do DEM, que inclusive é conhecido pela truculência com que age contra os trabalhadores.

Segundo anunciou o próprio governo do PSDB, “o Estado de São Paulo criou o Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância Esportiva (Grade), que terá policiais especializados em futebol. Uma de suas missões é evitar que durante o Mundial as torcidas organizadas recebam influência de membros de grupos radicais, de forte atuação na Europa” (Folha S. Paulo, 17/8/2010). A afirmação, apesar de ser uma tentativa descarada de enganar a população, que muitas vezes cai nos argumentos morais de que de fato as torcidas são violentas, deixa evidente qual a verdadeira proposta da burguesia e seus interesses. A suposta violência entre as torcidas não é nem de longe o verdadeiro motivo da ditadura que está sendo imposta nos estádios, tão pouco é maior do que a violência do Estado. É preciso ter claro que o objetivo é apenas o de reprimir a população, tanto é assim que o próprio nome da política “Grupo de Repressão e Análise”.

A quantidade de medidas impostas pela burguesia contra a população é algo incontável. O que chama atenção é que as leis estão sendo implementadas por motivos cada vez mais banais. No caso da Copa, o governo já está impondo uma série de medidas antes mesmo de o evento acontecer. Isso sem falar nas diversas demolições que com toda certeza ocorrerão. Ou seja, urinar na rua, sair da escola mais cedo, assistir jogos de futebol, brincar carnaval etc. etc. etc., tudo isso se transformou em crimes de acordo com a visão da burguesia.

Fonte: Site do PCO

16 de agosto de 2010

Bola da Vez: Andrew Jennings

Entrevista do Bola da Vez dia 14 de Agosto de 2010
ESPN Brasil

Em entrevista ao programa Bola da Vez, ele afirmou que a reputação do brasileiro só é boa por aqui e denunciou pelo menos dois graves casos na passagem de Havelange pela Fifa.
Jennings é mais crítico ainda com Jack Warner, vice-presidente da Fifa. O jornalista chega a analisar que o mundo seria melhor sem ele.
Andrew Jennings também disse ter conhecimento da operação nos bastidores que trouxe a vitória à candidatura de Londres para ser sede da Olimpíada de 2012

Parte 1:



Assista as demais partes da entrevista:

13 de agosto de 2010

O debate dos presidenciáveis no país do futebol


Quinta feira 13 de agosto de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos pelas costas apunhalados por latifundiários escravagistas, Bruno Lima Rocha, cientista político

Na 5ª feira dia 05 de agosto do corrente ano o país pôde assistir ao primeiro debate entre os quatro mais destacados candidatos à Presidência da República. Como se sabe, é da “tradição” democrático-liberal brasileira que a Rede Bandeirantes inaugure a rodada de embates verbais entre os concorrentes ao Executivo da União e dos estados. Simultaneamente a exibição do embate televisivo, a Rede Globo, ainda emissora líder, transmitia um jogo de futebol de grande relevância, a partida de volta da semifinal da Copa “Santander” Libertadores, entre o São Paulo F.C. e o Internacional S.C. Alegrias futebolísticas à parte, era a crônica do desastre anunciado.

É de praxe afirmar ser o Brasil o país do futebol, haja vista o número de horas de programação dedicadas quase exclusivamente para este esporte que movimenta recursos astronômicos. No miolo do fenômeno do descolamento de preços, com a alta de salários e cotas de patrocínio, a TV ocupa a base de sustentação dessa indústria do entretenimento desportivo, pagando (e em via de regras de forma antecipada), as cotas de direitos de exibição. O senso comum também noz faz ouvir que os brasileiros não se interessam pela política em nenhum aspecto. Infelizmente, os números de medição de audiência instantânea, organizados pelo Instituto Ibope (o mais contestado em termos de pesquisas eleitorais) em domicílios da Grande São Paulo, dão a prova material dos ditados populares. Para termos uma idéia de proporção, para cada ponto contabilizado pelo Ibope temos a equivalência de 60 mil domicílios na capital paulista e sua região metropolitana. Os números indicam que o primeiro debate da corrida presidencial oscilou entre 2,5 e 5 pontos; enquanto a partida teve média de 29,5 atingindo um pico de 33,8 pontos. Nada de novo no front.

Podemos também realizar uma ilação do fracasso devido ao debate ser insosso. Plasticamente limpo e vazio de conteúdo estratégico. Isto é, ninguém debate a fundo a chave do cofre, não se aponta a única saída prevista para atender todas as demandas do povo brasileiro. Em contrapartida, a produção audiovisual é de alta qualidade. Até onde se sabe, os candidatos são assessorados por competentes profissionais. Receberam treinamento para a mídia (os gringos chamam de media training), de postura diante do vídeo (como um diretor de palco), realizaram sabatina prévia de perguntas (através de memorizações e jogos de mnemotecnia) e passam por algum preparo em oratória e dicção. Enfim, estavam tecnicamente preparados para suas performances. O problema pode estar aí. Mesmo que exista uma discórdia de conceitos e idéias-guia, não há muita desavença na forma. Para a maioria do eleitorado, distante da política por três anos e meio e convocado a decidir sobre temas complexos encarnados nas candidaturas, a relação é muito desigual.

Ao mesmo tempo, dentro das quatro linhas dos gramados, o interesse e a familiaridade são proporcionalmente inversos. No caso, nós brasileiros prestamos muita atenção e estamos familiarizados com temáticas de alguma complexidade. Desafio um oponente do futebol a provar que se trata de atividade desprovida de inteligência. Em geral, uso este exemplo em sala de aula. Uma parte considerável dos brasileiros, para além de paixões torcedoras ou ódios contra cartolas e dirigentes, entende e muito a respeito de temas complexos. Cidadãos comuns, quando familiarizados com um jargão apropriado e participando de uma cultura própria, conseguem emitir opinião a respeito de estratégia, tática, desempenho dos indivíduos, ambiente coletivo, qualidade das lideranças, investimentos em contratações oportunas ou equivocadas e assuntos do gênero. As variáveis de possibilidades e as tramas diretas e indiretas são muitas, exigindo no mínimo uma mente treinada e um olhar aplicado.

Na política poderia acontecer o mesmo, se e caso camadas mais abrangentes do povo brasileiro fizessem a prática política ao longo do ano. Acontece que o “excesso de participação” é visto como algo “perigoso”, pois aumenta o poder de grupos de pressão que não são naturalizados como sendo os únicos legítimos para isso. O fosso está justamente na agenda discreta, ou quase indecifrável. Poucos sabem que o PIB brasileiro está em torno de R$ 3,143 trilhões, dos quais cerca da metade passa pelo caixa da União. No orçamento executado em 2009, segundo dados do SIAFI, o Brasil gastou 2,8% de sua receita com Educação e “apenas” 35,57% da dívida pública (isso sem contabilizar o refinanciamento). A totalização dos gastos com os credores financeiros, segundo o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), atinge a absurdos 48% do projeto de orçamento que foi previsto para 2009. Portanto, é falsa a polêmica do aumento de despesa da máquina pública como causadora de déficit. O rombo está na forma de financiamento do Estado brasileiro, e por tabela, do conjunto das políticas que punem ou beneficiem agentes econômicos e sociais. Esses são os segredos de Estado, e é isto que deveria ser a prioridade de qualquer debate político.

Se fossem compreensíveis estes números e estivesse em jogo o modelo de sustentar a sociedade brasileira, não estaríamos lamuriando a pouca audiência de um debate de presidenciáveis. Enquanto isso não ocorrer, teremos o paradoxo brasileiro de ver a política como sazonal e o futebol como permanente. Uma “democracia” assim tende a pasmaceira ou exasperação. Quem planta colhe.

Fonte: Estrategiaeanalise.com.br

12 de agosto de 2010

10 de agosto de 2010

África do Sul - alguns dados do país que sediou a Copa do Mundo


O salário de um operário sul-africano equivale a aproximadamente R$ 350,00.

Segundo relatórios da ONU, a África do Sul é um dos dez países com maior desigualdade de renda no mundo.

79,8% da população sul-africana é composta de negros, 9,1% de brancos, 8,9% de mestiços e 2,1% de hindus e asiáticos.

44% da população desse país vive na zona rural.

Mas 5,7 milhões de pessoas (mais de 10% da população) estão infectadas pelo vírus HIV (Aids). A cada ano são 500 mil novos casos, 20% deles entre crianças. Estudos contabilizam uma média de mil mortes por dia em decorrência da doença.

27% da população está desempregada. 65% dos desempregados tem menos de 35 anos de idade.

Na África do Sul ocorrem em média 28 mil assassinatos ao ano, número quase absoluto entre as populações mais empobrecidas.

Dados do Banco Mundial apontam que 34% dos sul-africanos vivem com menos de dois dólares por dia (menos de R$ 4,00).

Apenas 5% dos negros sul-africanos conseguem chegar à universidade.

Para a organização da copa do mundo de futebol, no país, foram desembolsado aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

Retirado do jornal A Nova Democracia.
Para ler o artigo completo acesse: http://www.anovademocracia.com.br/no-67/2878-africa-do-sul-enquanto-a-copa-cega-e-ensurdece-o-mundo

Sócrates, revolucionário da bola, afirma: "Sou e morrerei socialista!"

Sócrates (ao centro) em ato pelas Diretas-Já!, em 1984


Aos dezessete anos de idade Sócrates vivia um dilema: continuar a jogar futebol nas categorias de base do Botafogo de Ribeirão Preto, então time da primeira divisão do futebol paulista, ou dedicar-se exclusivamente a recém iniciada faculdade de medicina.

Com dificuldade conciliou as duas atividades nos primeiros anos de estudo. Quando se tornou profissional passou a receber convites de diversos clubes grandes, mas afirmou só sair do Botafogo depois de formado. Assim, chegou ao Corinthians e ficou c
onhecido como Doutor Sócrates.

Um dos líderes da democracia corinthiana e jogador da seleção brasileira nas copas de 82 e 86, Sócrates é considerado um dos grandes jogadores da história do Brasil.

Homem de respostas curtas e claras, consciência política e posições fortes, o Doutor conversou com o Unificados sobre a democracia corinthiana, socialismo, e claro, a seleção do Dunga.

ENTREVISTA
“Devemos lutar por democracia em qualquer estrutura social”


Unificados: Você sempre fugiu do padrão comum do jogador de futebol, tem consciência política, foi um dos lideres da democracia corinthiana, como isso surgiu?

Sócrates: Sei lá. O diferente não sou eu. O problema é o sistema educacional brasileiro que não dá oportunidade a todos, muito menos aos jogadores de futebol.

Unificados: Você ainda se considera socialista? Como vê o socialismo hoje?

Sócrates: Sou e morrerei assim. O socialismo idealizado não tem hoje nem nunca, só sempre.

Unificados: Acha que um movimento semelhante à democracia corinthiana poderia acontecer em algum clube atualmente?

Sócrates: Eu acho que sim. E também acredito que devemos lutar por democracia em qualquer estrutura social, inclusive no futebol. Particularmente, sempre achei um absurdo viver em um regime de casta, isso vem da origem do meu pai.

Ele nasceu pobre, fodido e não tinha o que comer. Então esse sentimento sempre foi muito claro para mim, por que casta? Por que as pessoas são tratadas de forma diferente? Esse sentimento nasceu comigo e você vai elaborando com o tempo.
Mas isso é uma coisa interiorizada, tentar lutar contra isso depende das oportunidades que você tem na vida. E aconteceu no Corinthians em uma época de crise e só existe revolução em crise. Ou então em guerra.


Unificados: A democracia corinthiana teve algum efeito no comportamento dos jogadores dentro de campo? E como foi a recepção dos jogadores e dirigentes de outros times?
Sócrates: Quem se sente tratado como deve sempre reage positivamente. Foi isso que aconteceu. Todos nós reagimos positivamente, e a reação dos demais pouco importa.

Ali aconteceu uma revolução porque as pessoas queriam fazer revolução, estavam juntas em um momento propício para isso. Se fosse em outro momento talvez não acontecesse nada.

Unificados: Como o movimento acabou? Isso teve a ver com sua ida para a Itália?

Sócrates: Um movimento revolucionário só ocorre na sociedade que o quer. Quando inventamos ou estamos em outra sociedade, esta caminha de acordo com a maioria dos seus integrantes e interesses.

Eu saí, o Casão (Walter Casagrande, hoje comentarista na Globo) saiu, mais gente saiu e contrataram outros 10 caras, com outra cabeça. O momento mudou, acabou porque tinha que acabar.
Eu fui para a Itália por causa das Diretas Já. Fiquei frustrado com o resultado da votação no Congresso. Fui embora.


Unificados: Muito se falou das atitudes do Dunga nessa Copa do Mundo, o que achou do desempenho da seleção?
Sócrates: Compatível com o esperado. Os jogadores estavam quebrados. O Dunga não levou os principais talentos do Brasil, aquela seleção não era a representação do país.

Unificados: E de afirmações do Dunga, que falou que não poderia dizer se a escravidão tinha sido boa ou ruim, e nem a ditadura?

Sócrates: Um pouco de literatura não faz mal a ninguém, muito pelo contrario. Quem não lê e não quer saber como o homem se comportou em outros tempos é um absoluto alienado ou analfabeto.

Unificados: Esse ano temos eleições legislativas, como você vê o cenário político atual no Brasil?

Sócrates: O país está em evolução. Seja lá quem forem os políticos eleitos, que ninguém altere este cenário para pior. Para melhor, por favor!

Dr. Sócrates "Magrão" comemora gol pelo Corinthians


Fonte: Site do Sindicato Quimicos unificados