30 de junho de 2010

Anúncio do Pão de Açúcar “elimina” a seleção brasileira

Um anúncio do Grupo Pão de Açúcar, dono da rede Extra, marca que patrocina a seleção brasileira de futebol, publicado hoje na Folha de S. Paulo, “eliminou” a seleção brasileira da Copa do Mundo. A peça publicitária dizia o seguinte: “A I qembu le sizwe sai do Mundial. Não do coração da gente”. E explica depois que I qembu le sizwe significa seleção. Completa o anúncio com a frase: Valeu, Brasil. Nos vemos em 2014.

De acordo com o Pão de Açúcar, o erro foi de inteira responsabilidade da Folha de S. Paulo. De acordo com a assessoria da rede de varejo, o jornal reconheceu o erro e informou que se retratará publicamente.

A lambança no departamento comercial da Folha foi além. Foi publicado também um anúncio da rádio Transamérica chamando o jogo de “hoje” entre Brasil e Chile.

Fonte: Portal Exame

Eu não sabia que o Abilío Diniz (dono do grupo Pão de Açúcar) tinha o "dom" da vidência... Será que isso foi efeito do cativeiro?

Saramago e o Futebol

Amigos, no último dia 18 de junho pela manhã o escritor português José Saramago sucumbiu à cruel imposição da natureza humana.


Único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa até hoje, Saramago gostava de futebol. Este escriba rende sua homenagem citando duas frases do gênio português sobre o nosso querido esporte.

No primeiro trecho, Saramago ilustra como o futebol permite que as pessoas sonhem:

"O grande problema nacional é a mediocridade e a resignação à mediocridade. O que é um pouco contraditório. Porque temos sonhos de grandeza e o Campeonato Europeu de Futebol é um caso."


O segundo trecho foi dito ao craque Luís Figo, após uma derrota da Seleção Portuguesa:


"O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas.
O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas..."

Obrigado por sua grande obra, José Saramago. Descanse em paz...


Fonte: Blog Jornalheiros.

29 de junho de 2010

Fifa dispensa árbitros que falharam feio nas oitavas

O trio brasileiro comandado por Carlos Eugênio Simon foi selecionado pela Comissão de Árbitros da Fifa entre os 19 que seguirão na Copa do Mundo. Já o uruguaio Jorge Larrionda e o italiano Roberto Rosetti, que cometeram lambanças em seus jogos das oitavas de final, não continuarão na África do Sul.

Simon e seus auxiliares, Altemir Hausmann e Roberto Braatz, já participaram de duas partidas até agora e foram bem. A primeira foi o empate em 1 a 1 entre Inglaterra e Estados Unidos; a segunda, a vitória da Alemanha por 1 a 0 sobre Gana.

Por outro lado, o trio comandado por Larrionda não validou gol marcado pelo meia inglês Lampard, apesar de a bola ter ultrapassado a linha em aproximadamente 90 centímetros, na derrota da Inglaterra por 4 a 1 para a Alemanha.

Já o trio italiano concedeu à Argentina, que bateu o México por 3 a 1, um gol em que o atacante Tévez estava impedido. No lance, um dos bandeirinhas chegou a avisar Rosetti sobre a posição irregular após ver o replay do lance no telão. No entanto, o árbitro manteve sua decisão.

Confira os árbitros que continuarão no Mundial da África do Sul:

Héctor Baldassi (Argentina)
Pablo Pozo (Chile)
Oscar Ruiz (Colômbia)
Carlos Eugênio Simon (Brasil)
Olegário Benquerença (Portugal)
Frank De Bleeckere (Bélgica)
Viktor Kassai (Hungria)
Wolfgang Stark (Alemanha)
Alberto Undiano (Espanha)
Howard Webb (Inglaterra)
Michael Hester (Nova Zelândia)
Benito Archundia (México)
Carlos Batres (Guatemala)
Marco Antonio Rodríguez (México)
Jerome Damon (África do Sul)
Eddy Maillet (Seychelles)
Khalil Al-Ghamdi (Arábia Saudita)
Ravshan Irmatov (Uzbequistão)
Yuichi Nishimura (Japão)

Fonte: Agência EFE.

COPA É ALVO DA DIREITA DOS EUA

A Copa do Mundo é a mais nova vítima da raivosa extrema direita dos Estados Unidos. Vários comentaristas americanos estão atacando a popularização do esporte nos EUA, dizendo que se trata de uma modalidade esportiva "de pobre", coisa de sul-americano, resultado da crescente influência dos hispânicos no país e ligado às "políticas socialistas" do presidente Barack Obama.

Glenn Beck, o maisfamoso comentarista conservador da Fox News,compara o futebol às políticas de Obama. "Não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo, quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não queremos ter nada a ver com isso", esbravejou Beck na TV. Segundo ele, o futebol é como o governo atual: "O restante do mundo gosta das políticas, mas nós não." Com o bom desempenho do time americano no jogo contra a Inglaterra no sábado, os tradicionais fãs de beisebol e futebol americano estão mais entusiasmados com a Copa do Mundo. Mas isso é resultado de uma "conspiração da esquerda", dizem os conservadores. "Futebol é um jogo de pobre", afirma o analista conservador Dan Gainor, do Media Research Center.

"A "A esquerda está impondo o ensino de futebol nas escolas americanas, porque a América está se 'amarronzando'", afirmou, em referência ao aumento do número de hispânicos no país. Para Matthew Philbin, do centro de pesquisas de direita Culture and Media Institute, "a mídia liberal sempre se sentiu desconfortável com o fato de sermos únicos entre as nações, sermos líderes; e os esquerdistas são contra nossa rejeição ao futebol, da mesma maneira que são contra nossa rejeição ao socialismo". O radialista Mark Belling foi além, "eles nos estão enfiando futebol goela abaixo", disse Belling no programa de rádio de Rush Limbaugh, ouvido por 20 milhões de americanos.

Para eles, o futebol é um esporte estrangeiro, que não pertence à cultura tradicional dos EUA. O fato é que o futebol conquistou tantos adeptos no país nos últimos dez anos que atualmente rivaliza com beisebol e basquete.

Hoje em dia, mais crianças abaixo dos 12anos jogam futebol do que beisebol, basquete e futebol americano juntos. Segundo a Fifa, os EUA têm 18 milhões de jogadores registrados. Muitos imigrantes hispânicos trouxeram a tradição de seus países e ajudaram a popularizar o esporte nos EUA.

Maso futebol nem de longe restringe-se aos hispânicos. Já existe até uma faixa demográfica apelidada de "mães do futebol": mulheres brancas de classe média.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo.

27 de junho de 2010

Replay nos estádios causa polêmica durante a Copa

As críticas ante aos árbitros da Copa do Mundo da África do Sul crescem a cada dia. Se não bastasse a sequência de erros dos juízes, a Fifa também contribuiu para aumentar ainda mais a polêmica ao permitir que o replay de imagens fosse exibido nos telões das arenas.

Contudo, a permissão da entidade não previa a repetição de lances duvidosos durante a partida. Não foi o que aconteceu no jogo entre Brasil e Costa do Marfim, pela segunda rodada da fase de grupos do Mundial. Naquele jogo, o segundo gol brasileiro, anotado pelo atacante Luis Fabiano, foi reprisado para toda torcida presente no Soccer City, em Johanesburgo.

Em uma jogada de muito talendo, o ex-jogador do São Paulo driblou dois adversários e dominou a bola com o braço, ajeitando para a finalização. Ainda no decorrer da partida, o jogador chegou a ser questionado pelo árbitro sobre a suposta irregularidade.

Interrogado pelo jornal Folha de S.Paulo, o único representante da arbitragem brasileira no Mundial Carlos Eugenio Simon se mostrou surpreso ao saber sobre o episódio. Porém, devido a determinação da Fifa, os juízes não são autorizados a comentar os erros cometidos.

Até o chefe do departamento de arbitragem da Fifa, o espanhol José Maria García Aranda, preferiu desconversar sobre o assunto.

"Não sou a pessoa certa para falar sobre isso, porque não está sob meu encargo. Há pessoas na Fifa que cuidam desse assunto e decidem quando essas imagens devem ser mostradas ou não. Não é considerada uma questão referente à arbitragem", explicou o dirigente em entrevista à Folha.




Fonte:
Universidade do Futebol.

26 de junho de 2010

Segundo jornal, Kassab banca Pirituba à Fifa

A construção de uma arena em Pirituba deve ser ratificada como projeto de São Paulo para sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, o prefeito da cidade, Gilberto Kassab, já enviou documentação sobre o novo estádio à Fifa.

A decisão é uma repercussão do veto ao Morumbi, estádio do São Paulo, que integrava o projeto da cidade até a semana passada. O clube apresentou seis projetos diferentes de reforma para a arena e, segundo o comitê organizador local (COL), não conseguiu enviar a tempo as garantias financeiras sobre as intervenções na arena.

Desde que o Morumbi foi alijado da Copa do Mundo, ganhou força a criação de uma arena em Pirituba. O bairro da região norte de São Paulo vai receber nos próximos anos um grande centro de convenções, e a arena deve fazer parte desse complexo.

Segundo “O Estado de S. Paulo”, Kassab apresentou o projeto de estádio à Fifa, inclusive com a equação financeira para erguer a nova arena. Com a exclusão do Morumbi, São Paulo foi alijada da lista de cidades que receberão jogos da Copa do Mundo em 2014.

A construção de uma arena em Pirituba, contudo, possui dois grandes problemas. O primeiro é o tamanho do empreendimento, inicialmente previsto para 45 mil espectadores. São Paulo ainda postula a abertura da Copa do Mundo, e para isso necessita de um estádio com ao menos 60 mil lugares.

Outro problema é a administração do estádio depois da Copa do Mundo. O Corinthians, único time grande da capital que não manda jogos em um estádio próprio, considera cara a ideia de usar a arena de Pirituba. Com isso, o comitê paulista trabalha com a ideia de ceder a administração do espaço à iniciativa privada.

Fonte: Máquina do Esporte.

25 de junho de 2010

Copa do Mundo 2010: “somos todos explorados e hipnotizados”

Este ano a Copa do Mundo esta sendo um balão de oxigênio (para a crise) após a África do Sul. Como sempre, de quatro em quatro anos, somos obrigados a olhar o mundo à nossa volta como se fosse uma bola de futebol, durante um mês, sob o risco de passar por um estraga-prazeres, chato ou um traidor da pátria se falarmos alguma coisa contrária ao senso comum dos fãs do esporte, da Copa.

Devemos fingir que não sabemos que, ao contrário do mito veiculado no filme Invictus, a África do Sul continua sendo um dos países mais violentos, racistas e desiguais do mundo.

Que a expectativa de vida sul-africana é de 50 anos e a taxa de analfabetismo nos adultos, é pelo menos de 15%! Quase 43% da população vive abaixo da linha da pobreza, o desemprego é oficialmente de 20% (mas algumas estimativas extra-oficiais avançam o número para 40%) e 1,1 milhões de famílias ainda vivem em favelas.

Graças ao silêncio resignado da FIFA, as máfias especializadas no tráfico de seres humanos vão organizar a deportação de milhares de mulheres para serem exploradas sexualmente pelos torcedores, jogadores, cartolas e autoridades, agravando ainda mais o risco de propagação da AIDS num país onde 5,7 milhões de pessoas estão infectadas e 58% delas não têm acesso aos medicamentos.

No país, abusos contra as crianças, o tráfico de pessoas, estupro e maus-tratos são crimes recorrentes. Segundo a Anistia Internacional, as violações dos direitos humanos dos refugiados, dos que pedem asilo político e dos imigrantes são comuns e agressões freqüentes, e em grande escala contra as mulheres. A violência xenófoba é diária, mesmo com a grande mídia neste momento desenvolvendo uma campanha desmentindo isso, para tranqüilizar as multidões que desejam assistir a Copa do Mundo.

Como de costume, a polícia e todo um arsenal de segurança serão implantados durante a Copa a fim de proteger os turistas de gangues e controlar as violências múltiplas das torcidas.

O Chefe da Polícia sul-africana anunciou 45 mil policiais ao redor de cada estádio da Copa. As competições desportivas são sempre boas oportunidades para desenvolver o controle das populações, comercializar e testar novos equipamentos de repressão.

Os cinco novos estádios construídos e os cinco estádios reformados da Copa do Mundo custariam inicialmente mais de um bilhão de euros, mas o custo total de despesas se elevou para mais de 7 bilhões, revelando um gasto muito acima do que o inicialmente planejado.

Por outro lado, os salários dos trabalhadores na construção e reformas dos estádios foram uma miséria. Não à toa aconteceram vários movimentos grevistas reivindicando melhorias salariais. Mas, este dinheirão todo foi parar em algum lugar: nos bolsos da FIFA! Além dos bolsos da corrupção e do superfaturamento, envolvendo empresas e autoridades.

O total das receitas da FIFA no ano de 2009, em conexão com a Copa do Mundo da África 2010: 1,06 bilhões de dólares dos quais 196 milhões de dólares só de benefícios com a internet. Isto sem mencionar os patrocinadores oficiais que estão no ranking dos lucros estratosféricos e que conquistam sempre novos mercados graças às competições desportivas internacionais como esta.

Ademais, o que se esquece quando se apaixonam pela Copa do Mundo é que, o garoto chinês (crianças entre 13 e 17 anos) que fabrica o boneco de pelúcia leopardo “Zakumi”, adotado como mascote da Copa de 2010, trabalha na linha de produção 13 horas por dia por um salário de 2,5 euros (menos de 6 reais). No fundo, nós, trabalhadores e trabalhadoras, somos todos explorados e hipnotizados pelo entretenimento do futebol.

E cada um deverá apoiar a sua bandeira nacional, incluindo as mulheres que estão, infelizmente, cada vez mais envolvidas neste jogo de estúpidos. Aceitar as regras de um jogo mercadológico, violento, desigual e sexista, que reforça a alienação de todos e de todas, não pode e não deve ser entendido como uma conquista social.

Então, e se nós disséssemos stop!? Chega de palhaçadas!

Trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, vaiemos à bandeira e à seleção nacional!

Fonte: CMI-Portugal.

Texto originalmente escrito por um anarquista francês, mas com pequenas modificações para dar um sentido mais geral de compreensão.

Futebolistas revolucionários de 68



As dimensões que atingiu a revolta popular entre maio e junho de 1968 na França realmente foram descomunais, atingindo praticamente todas as frações do proletariado. E o que fizeram os trabalhadores do futebol em 68? Essa imagem ai é o cartaz-comunicado do Comitê de Ação dos Futebolistas, datado de maio-junho de 1968. No início do cartaz está escrito:

"Nós, jogadores de futebol de vários clubes da região de Paris, decidimos ocupar hoje o prédio principal da Liga Francesa de Futebol, da mesma maneira que os trabalhadores e estudantes estão ocupando suas fábricas e faculdades. Por que? Para restaurar à 600,000 jogadores franceses de futebol e os milhões de seus amigos o direito de desfrutar o futebol como deve ser: o futebol que foi tirado deles pelas autoridades da Liga para servir aos seus interesses lucrativos! ... "

Para mais informações sobre história social consultar:
Instituto Internacional de História Social (Amsterdã, Holanda)

La foto del mundial que no hicieron circular

Sucesso do futebol nos EUA revolta a direita americana

A direita americana está furiosa. E a razão é o futebol. O sucesso da Copa está causando reação raivosa dos conservadores do país, especialmente na imprensa. O 19º Mundial da história é um marco por lá, com audiências espantosas para um povo que jamais deu importância ao futebol jogado com os pés e com uma bola de fato redonda.

O futebol é feito para pobres e a esquerda está empurrando isso para as escolas americanas. Isso é consequência do bronzeamento da América, afirmou o analista conservador Dan Gainor, numa referência ao fato do presidente Barack Obama ser negro. Nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos de futebol. O resto do mundo gosta das políticas do Obama, nós não, disse Glenn Beck, comentarista da Fox News, canal tradicionalmente conservador.

A direita pode não gostar, mas o crescimento da popularidade do futebol nos EUA parece irreversível. O empate entre a seleção americana e a Inglaterra foi visto por 17 milhões de pessoas, mais do que as quatro primeiras partidas da decisão da NBA, entre Celtics e Lakers. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo, hoje há mais crianças americanas praticando futebol do que beisebol, basquete e futebol americano juntos.

Este esporte foi criado por índios sul-americanos, que, em vez de bola, jogavam com a cabeça de seus inimigos, afirmou o radialista e ex-agente do FBI G. Gordon Liddy que mostra bastante conhecimento sobre a modalidade criada por seus colonizadores, os ingleses.

Fonte: www.esportefino.net

24 de junho de 2010

África do Sul: Copa do Mundo... dinheiro sujo!

Declaração de ZACF sobre o 2010 Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2010 deve ser exposta publicamente como a grande farsa que é. A Frente Anarquista Comunista Zabalaza (ZACF - Zabalaza Anarchist Communist Front), da África do Sul, condena veementemente o cinismo e a hipocrisia do governo sul-africano que apresenta este momento como uma oportunidade única "apenas uma vez na vida" para a melhoria da situação econômica e social das pessoas que vivem no país (assim como no resto do continente).

Isto é afirmado claramente - a tal ponto que se torna impressionante - visto que esta “oportunidade” tem sido e continua sendo a ganância desenfreada da elite dirigente sul-africana assim como a do capital, nacional ou internacional. Na verdade, a Copa do Mundo, se tiver algumas conseqüências é provável que estas sejam devastadoras - para os pobres da África do Sul e para a classe trabalhadora - já em pleno andamento.

Na preparação da Copa do Mundo, o governo gastou mais de 8,2 bilhões de rands (cerca de R$ 2 bilhões), por exemplo, mais de 1 bilhão para o desenvolvimento das infra-estruturas e 3 bilhões para reformas e construções de estádios que depois da Copa do Mundo jamais estarão lotados. Isto é um tapa na cara de todos aqueles que vivem num país marcado por uma pobreza extrema e com uma taxa de desemprego que gira em torno de 40%.

Nos últimos cinco anos, os trabalhadores pobres têm vindo a manifestar a sua indignação e decepção face à incapacidade do governo para corrigir as enormes desigualdades sociais, organizando, em todo o país, mais de 8 mil manifestações para exigir serviços básicos (água, eletricidade, saúde...) e habitações dignas.

Esta distribuição dos custos, pelo Estado, é mais uma prova dos equívocos do modelo neoliberal capitalista e das suas políticas econômicas de “racionamento”[1], que só serviram para aprofundar as desigualdades e a pobreza.

Apesar das afirmações anteriores, no sentido contrário, o governo acabou por reconhecer, recentemente que "nunca foi a sua intenção" que este projeto chamado Copa do Mundo fosse beneficiário em termos sociais[2].

A África do Sul precisa desesperadamente de infra-estruturas públicas em grande escala, especialmente na área dos transportes públicos que estão quase totalmente ausentes em algumas cidades, incluindo Johanesburgo. O Gautrain (uma espécie de trem bala), lançado em 8 de junho (na véspera da Copa do Mundo), é provavelmente a grande ironia disto: num país onde a grande maioria das pessoas depende, cotidianamente, para percursos de longa distância, de táxis e lotações, sem condições mínimas de segurança, o Gautrain oferece rapidez, transporte de luxo para turistas e para aqueles que viajam entre Johanesburgo e Pretória (distante apenas 54 km).

O mesmo panorama aparece em toda parte: o Airports Company South Africa (ACSA) gastou mais de 1,6 bilhões rans para a modernização dos aeroportos. Já a Agência Nacional de Estradas Sul-Africanas (SANRAL), privatizada, gastou mais de 2,3 bilhões de rans para uma nova rede de rodovias.

Tudo isso explicará a implementação de medidas de austeridade drásticas para recuperar os bilhões gastos nas infra-estruturas, a maioria dos quais são de interesse nulo para os africanos pobres, a esmagadora maioria do país.

Em toda a África do Sul os municípios estão envolvidos em “esquemas” de revitalização urbana, acompanhados pelos seus inseparáveis programas de gentrificação, com o governo tentado, apressadamente, esconder debaixo do tapete a crua realidade deste país.

Em Johanesburgo, mais de 15 mil sem-teto e crianças de rua foram apanhadas e “despejadas” em "abrigos"; em Cape Town, autoridades do município expulsaram milhares de pessoas das zonas pobres e das favelas no âmbito do projeto "World Cup Vanity" (tornar a cidade agradável para a Copa do Mundo). Em Cape Town tentou-se - em vão - expulsar de suas casas 10 mil moradores da favela Joe Slovo com o objetivo de esconder a população dos olhos dos turistas que viajam ao longo da rodovia N2.

Em outros lugares, populares foram despejados para dar lugar aos estádios, estacionamentos para turistas, ou estações[3]. No Soweto, as estradas foram embelezadas ao longo das rotas turísticas e da sede da FIFA, enquanto as escolas ao redor continuam com as janelas quebradas e as instalações em ruínas.

Apesar de muitos sul-africanos não terem caído neste "canto de sereia", outros são inundados e arrastados pela enxurrada de propaganda nacionalista que visa desviar a atenção do circo que é a Copa do Mundo.

Cada sexta-feira no país foi declarada “Dia do Futebol", onde a “nação” é incentivada (e os alunos forçados) a vestir camisas dos Bafana-Bafana (seleção nacional da África do Sul).

Os carros são enfeitados com bandeiras, as pessoas aprendem a "diski dance", que é constantentemente demonstrado em todos os restaurantes turísticos. Já é praxe comprar a mascote Zakumi. E quem se atrever a manifestar dúvidas sobre a Copa é maculado como antipatriota. O exemplo mais significativo disso tudo foi o apelo das autoridades aos grevistas do Sindicato dos Transportes (SATAWU), para que abandonassem as suas reivindicações pelo “interesse nacional"[4].

Num contexto em que quase um milhão de empregos desapareceram, só no ano passado, as declarações do governo, sobre a criação de mais de 400 mil postos de trabalho devido à Copa do Mundo, são descontextualizadas e ofensivas. Os empregos que foram criados, nesta euforia futebolística, são muitas vezes precários ou CDD (contratos com duração determinada), por trabalhadores que não são sindicalizados e recebem salários muito abaixo do salário mínimo.

Para além da repressão contra os sindicatos, os movimentos sociais têm sentido a mesma hostilidade do Estado, traduzida oficialmente pela proibição geral de todos os protestos durante a Copa do Mundo. Jane Duncan (do Instituto para a Liberdade de Expressão) refere-se, com abundância de provas, que essa política foi colocada em prática a partir do começo de março.

Um inquérito as cidades sede da Copa do Mundo, revelou que uma proibição geral de qualquer reunião está em curso. Assim, no município de Rustenberg, “as concentrações estão proibidas durante a Copa do Mundo”.

O município de Mbombela recebeu a informação, da polícia nacional, de que não seriam permitidos “encontros” durante a Copa. O conselho municipal da Cidade do Cabo informou que não continuaria a receber pedidos para organização de marchas, que “isso poderia ser um problema” durante a realização da Copa. Nos municípios de Nelson Mandela Bay e de Ethekwini, a polícia proibiu manifestações durante o período da Copa do Munde[5].

A Constituição da África do Sul, muitas vezes elogiada pelo seu caráter "progressista", está longe de ser a garantia de liberdade e de igualdade. Esta nova forma de repressão entra claramente em contradição com o direito constitucional à liberdade de expressão e de reunião.

No entanto, os movimentos sociais, em Johanesburgo, incluindo o Fórum Anti-Privatização e vários outros não desistiram, e obtiveram uma autorização para uma marcha e manifestação no dia da abertura da Copa, com a ajuda do Instituto para a Liberdade de Expressão. Porém, a marcha deverá ser confinada a três quilômetros do estádio, onde não atrairá a atenção da mídia.

Não foi apenas o Estado sul-africano que realizou uma repressão severa sobre os pobres e sobre qualquer atividade ou manifestação anti-Copa do Mundo, sob um disfarce que representa a África do Sul como um polvo que estende os seus tentáculos em convite a todos e a todas, para que afluam em rebanhos aos seus hotéis de luxo, os quartos de hóspedes e salões de coquetéis, mas também o império criminal legal a que Josepp Blatter e seus amigos chamam FIFA (admiravelmente nomeada THIEFA (clube dos ladrões em inglês) pelo Fórum Social em Durban).

Prevendo com a Copa 2010 um lucro de aproximadamente 1,5 bilhões de euros, a FIFA já arrecadou mais de 1 bilhão apenas com os direitos de transmissão televisiva. Os estádios e as zonas circudantes foram entregues à FIFA durante o período do torneio (como “casulos livres de impostos”, áreas controladas e vigiadas pela FIFA e isentas do imposto normal e outras leis estaduais sul-africanas), incluindo estradas e pontos de acesso. Dessas regiões serão excluídas as pessoas que vendem produtos não licenciados da FIFA. Assim, os que acreditaram que, durante a Copa do Mundo, iriam aumentar a sua renda de sobreviventes, serão deixados de fora no frio "racionamento" neoliberal.

Mais: a FIFA, como proprietária exclusiva da marca Copa do Mundo e dos seus produtos derivados, dispõe de uma equipe com centenas de advogados e funcionários que percorrem o país para rastrear qualquer venda não autorizada e para fazer marketing da sua própria marca. Os produtos ilegais são apreendidos e os vendedores são presos, apesar do fato da maioria na África do Sul e do continente comprarem os seus produtos no setor do comércio informal. Porque muito poucos sul-africanos têm 400 rand (40 euros) para pagar pelas camisas das seleções e outras “engenhocas” da Copa.

Os jornalistas também foram efetivamente amordaçados neste evento, na hora de se credenciarem, a FIFA incluia a aprovação formal de uma cláusula que impede as organizações de mídia de criticá-la, comprometendo claramente a liberdade de imprensa[6].

A ironia maior desta história toda é que o futebol era originalmente o esporte da classe trabalhadora. Ir assistir aos jogos nos estádios era uma atividade de baixo custo e de fácil acesso para as pessoas que escolhessem passar 90 minutos das suas vidas esquecendo o cotidiano sob a bota do patrão e do Estado.

Hoje, o futebol negócio e a Copa do Mundo trarão lucros exorbitantes para um pequeno grupo da elite mundial e nacional (com milhões de gastos desnecessários, especialmente em um momento de crise capitalista mundial), que cobram aos seus clientes-torcedores- espectadores milhares de rands, dólares, libras, euros, etc., para assistirem futebolistas caindo em excesso e mergulhando em campos super bem tratados e que discutem, através de agentes parasitários, se são ou não dignos de seus salários mirabolantes (Kaká recebe mais de 10 milhões de euros por ano no Real Madri).

O jogo em si, que em muitos aspectos, mantém a sua beleza estética, perdeu a sua alma trabalhadora e foi reduzido a uma série de produtos destinados a serem explorados e consumidos.

Bakunin disse que "as pessoas vão a igreja pelos mesmos motivos que vão a um bar: para hostilizar, para esquecer a sua miséria, para imaginar serem, por alguns minutos, também, livres e felizes”. Talvez possamos dizer o mesmo do futebol negócio, com estas bandeiras nacionalistas agitadas e a sua cegueira, com as estridentes vuvuzelas. Deste modo parece mais fácil de se esquecer do dia a dia, de tomar parte na luta contra a injustiça e a desigualdade.

Mas numerosos também são os que continuam o combate, e a classe trabalhadora, os pobres e as suas organizações não são assim tão maleáveis às ilusões quanto o governo gostaria de crer. Construiremos acampamentos temporários junto aos portões dos estádios onde tiver aglomerações, ações de greve geral - autorizadas ou não.

E apesar dos insultos, das zombarias e os rótulos de "antipatrióticos" e a supressão da liberdade de expressão, vamos fazer ouvir as nossas vozes para denunciar publicamente as desigualdades terríveis que caracterizam a nossa sociedade e os jogos mundiais que se disputam em detrimento da vida daqueles sobre os quais se construíram os impérios que, no fim das contas, serão destruídos.

Abaixo a Copa do Mundo!
Phansi [Abaixo] a repressão do Estado e do nacionalismo que nos divide!
Phambili [Viva] a luta do povo contra a exploração e os lucros!

Fonte:
Anarkismo.net

23 de junho de 2010

Placar Histórico: “Domingo, sangrento domingo”

Os jornais de todo o mundo noticiaram no último 16/06/2010 o pedido de perdão em relação ao massacre de civis irlandeses ocorridos em 30 de janeiro de 1972, feito pelo primeiro-ministro britânico em pessoa após condenação da própria justiça britânica. O que não deixa de ser emblemático ao acontecer durante a realização da Copa do Mundo da África do Sul, outro país com histórico de massacres étnicos e também sem disposição para pedidos de perdão.

O fato: no dia 21 de novembro de 1920, em plena Guerra da Independência da Irlanda, após 14 soldados ingleses serem mortos em combate pelo IRA (exército republicano irlandês), tropas de ocupação britânicas em represália assassinaram 13 católicos irlandeses.

O local do massacre foi o estádio Croke Park, um dos locais mais simbólicos de Dublin, capital da ainda unificada Irlanda durante uma partida de futebol gaélico (um dos mais tradicionais esportes do país).

No local se encontravam mais de dez mil pessoas que assistiram a um jogo entre o time de Tipperary e o de Dublin quando os soldados ingleses invadiram o gramado fortemente armados e abriram fogo contra a arquibancada, atingindo várias pessoas e matando 13, sendo um jogador. Em 05 de fevereiro de 2008, em amistoso neste mesmo estádio, a seleção brasileira venceu a seleção da Irlanda por 1 a 0.

Em 30 de janeiro de 1972 ocorreu um segundo massacre na cidade de Derry. Esta segunda data ficou tristemente conhecida como 'Domingo Sangrento', com novo ataque criminoso de tropas britânicas contra manifestantes, na já seccionada Irlanda do Norte. Resultado: 14 mortos (sendo seis crianças) e 26 feridos. Este episódio ficou historicamente marcado, sendo um dos seus ícones a canção 'Sunday Bloody Sunday' da banda irlandesa U2, produzida em 1982.

Fonte: PSTU na araquibancada.

22 de junho de 2010

O futebol no regime de Mussolini

Antes de falarmos sobre o uso do futebol para fins políticos, vale dar uma rápida explanada sobre onde e como surgiu a prática política. Estudos indicam que a política surgiu basicamente após o surgimento das cidades, tendo como ponto de partida, a Grécia Clássica, num período da história onde os homens começaram a trocar o pensar mítico pelo pensar racional. Trataremos cada caso separadamente, para que cada aspecto da utilização do futebol como material de fortalecimento de governos, seja bem explicado e conhecido.

Mussolini e o futebol

A Itália de Mussolini utilizava-se da cultura física como aspecto fundamental para a solidificar sua ideologia fascista. A partir de 1925, l’Opera Nazionale Dopolavoro, financiou e coordenou a construção de vários estádios, piscinas, pistas de ciclismo e atletismo. Mas o Duce demoraria um tempo para perceber que poderia se utilizar do futebol para tentar manipular a massa.Em 1926, Mussolini ansiava tanto em ser um dos maiores governantes do mundo, que resolveu alterar as regras do futebol através da Carta de Viarregio. Este documento fixava regras para jogadores estrangeiros, definia novos status para jogadores de futebol além de uma série de alterações no calcio.

Nesta mesma época, o calcio rivalizava e disputava espaço no gosto da população com a volata, modalidade que misturava futebol e rugby e que fora inventada por Augusto Turati, uma das figuras-chave do fascismo. A intenção era provar que a volata era um esporte genuinamente italiano, que os ingleses degeneraram com uma infinidade de regras, porém a volata não durou por muito tempo, caindo no esquecimento por volta de 1933.

Atento, Benito Mussolini tratou de assumir os encargos para sediar a Copa do Mundo de 1934, modo pelo qual o Estado Fascista viu chance ímpar de fortalecer uma infinidade de metáforas belicistas, perfeitamente aplicáveis aos valores do regime. Imediatamente após a confirmação da realização do II Mundial de Futebol na Itália, Mussolini tratou de vincular a conquista ao sucesso dos dez anos de regime fascista. Para a propaganda do Mundial, uma das imagens de cartazes, era a de um jogador com a bola no pé e a típica saudação fascista.

Estádios construídos para a Copa

O governo fascista começou a cosntrução de grandes templos esportivos bem antes de pensar em sediar o Mundial. Em 1927, era inaugurado o Littoriale, em Bologna. Em Roma, em 1928, foi inaugurado o Estádio do Partido Nacional Fascista. Em 1929, foi a vez do Il Testaccio di Roma, mais conhecido como giallorossi, por ter suas arquibancadas pintadas de amarelo e vermelho. Esta foi uma das primeiras obras do fascismo a receber a benção da igreja católica.

Em 1932, era inaugurado o Stadio del Littorio, em Trieste. Ainda foram construídos o L’Ascarelli di Napoli e Il Comunale di Torino, que por ser o mais imponente complexo esportivo do país, logo passaria a ser chamado de Benito Mussolini.

O Mundial

A abertura do Mundial demonstrou o quanto o povo apoiava Mussolini e o quanto a sua “preocupação” com o calcio, com a construção de estádios e mudanças nas regras para jogadores estrangeiros, elevariam o status do regime fascista. Apesar do prestígio alcançado especialmente com a presença do Duce em todos os jogos, a Azurra não teria um caminho fácil e, ficaria evidente que o preparo físico era fundamental para seguir adianta na competição. Com um regulamento que previa jogos no dia imediatamente posterior, caso uma partida terminasse empatada, a cada jogo da Azurra, era um bombardeio de propaganda fascista, utilizando amplamente os símbolos nacionais, como o uniforme preto, a bandeira e o hino, além da presença do Duce em todos os jogos da seleção italiana sempre comemorando cada vitória da Azurra com os “camisas-negras”.

Jogos marcantes Copa de 34

Italia x Espanha – Jogo de 210 minutos onde o herói da partida foi Giuseppe Meazza, autor dos gols da vitória que foi retirado de campo desmaiado. Uma das maiores demonstrações do espírito de sacrifício que o regime fascista exigia.

Itália x Tchecoslováquia – Final. Jogo com prorrogação, onde a Itália venceu por 2 a 1. Os tchecos nunca aceitaram o resultado, alegando que momentos antes da partida, o juíz fora visto na companhia do Duce em seu camarote.
Antes da Copa, porém, Mussolini utilizou amplamente o futebol como mecanismo de aproximação com outros governos. Um evento futebolístico poderia (e ainda pode, na verdade) ser um poderoso aliado para os governos em suas tentativas de aproximação e conclusão de seus interesses políticos.

Slavia x Juventus - Quando o time italiano viajou a Tchecoslováquia para o amistoso, foram recebidos com repulsa pelos tchecos, já que italianos e alemães se aproximavam aos poucos e com receio dos anseios de expansão de Adolph Hitler, que já governava a Alemanha. Na ocasião deste jogo, o embaixador italiano na Alemanha disse: “…as copas, os campeonatos, são situações muito importantes, mas há alguns casos em que se dá prioridade à suscetibilidade nacional, que então é posta em jogo em cada competição esportiva.”

Inglaterra x Itália, a Batalha de Highbury – Em 1934, apenas alguns meses depois de conquistar o Mundial, a seleção italiana enfrentou a seleção da Inglaterra no estádio de Highbury. Os inventores do jogo venceram por 3 a 2 numa partida violenta, em que muitos jogadores deixaram o campo com ferimentos consideráveis, entre eles, Eddie Hapgood, que teve seu nariz fraturado. Meazza mais uma vez foi a alma do regime fascista em campo marcando os dois gols da Azurra.

A Azurra de Mussolini na Copa de 1938 – França

Os jogadores da Squadra Azurra foram recepcionados da pior maneira possível ao chegarem ao pais sede da Copa de 38: a França. Os franceses já haviam se posicionado como antifascistas e lideravam esse movimento na Europa. A relação entre Itália e França já estava deteriorada especialmente depois de Mussolini hostilizar o governo francês em uma de suas declarações. O vagão do trem no qual se encontrava a seleção italiana em sua chegada à França, foi recepcionado por cerca e 3.000 antifascistas com gritos de “fascistas”, vaias, insultos os mais variados. Dentro de campo, na estreia com a Noruega, a saudação à romana da seleção de Mussolini, fez o estádio parecer que ia explodir.


Mussolini não media esforços para que a campeã Itália alcançasse o bi-campeonato, e enquanto as demais seleções viajavam de trem, a Azurra tinha um avião à sua disposição. Na semi-final, os azurri enfrentaram o Brasil e o discurso utilizado após a vitória italiana foi tipicamente fascistas: “Saudamos o triunfo da inteligência itálica contra a força bruta dos negros”.

Contra a Hungira, na final, uma história ficou bem conhecida. Contam que um telegrama foi enviado à concentração italiana, enviado pelo próprio Mussolini. A mensagem era clara: “Vencer ou morrer”. A Azurra sobreviveu vencendo a Hungria por 4 a 2 e seus jogadores foram recebidos em casa como verdadeiros gladiadores. O Fascismo saiu fortalecido, especialmente através de sua propaganda de governo, onde se colocava o esporte como meio exitoso para os fins do regime e aprofundamento da fidelidade nacional.

Fonte: LANCE!NET.

21 de junho de 2010

Após "verde", Copa abandona seu lixo

Uma das marcas do projeto da Alemanha para sediar a Copa do Mundo em 2006 foi o projeto "Copa verde", conjunto de medidas que o país adotou para reduzir o impacto ambiental do torneio. Quatro anos depois, o tratamento dado ao lixo mostra que a questão ecológica não se tornou um debate constante na competição.

Um dos pontos defendidos pela Alemanha para a "Copa verde" era a coleta seletiva de lixo para reciclagem. Na África do Sul, em vez de latas específicas para cada material, o que se vê é falta até mesmo de receptáculos comuns.

O resultado imediato disso é o acúmulo de lixo nas ruas ao redor dos estádios. Há equipes de limpeza do país trabalhando constantemente antes e depois dos jogos, mas isso tem sido insuficiente para acabar com todo o montante produzido.

A situação é ainda mais curiosa no IBC (International Broadcasting Centre, espaço que reúne as emissoras que detêm direitos de transmissão do evento). O local contém latas para coleta seletiva, mas é comum ver total desrespeito aos materiais indicados pelas cores.

O IBC tem outra situação inusitada: o número de latas de lixo é extremamente pequeno, mas há vasos sem plantas espalhados pelo complexo. Isso transformou as cerâmicas pretas em depósitos de todo tipo de lixo (especialmente copos, latas e cigarros).

O conceito de "Copa verde" também está presente no projeto brasileiro para sediar o evento de 2014. Essa ideia deve nortear todas as reformas de estádios, que seriam feitas com intuito de reduzir impacto ambiental. Na Alemanha, por exemplo, arenas chegam a ter 50% de sua energia gerada por painéis de captação solar.

Fonte: Máquina do Esporte.

20 de junho de 2010

Tunél do tempo: Ex-jogador do Ferroviário marcou gol inédito em Copa do Mundo.

Ex-jogador das categorias de base do Ferroviário, Chun Soo-Lee, da Seleção Coreana, fez o primeiro gol de um jogador com passagem no futebol cearense numa Copa do Mundo.
Já tendo disputado a Copa de 2002, Chun Soo Lee marcou o primeiro gol da Coréia do Sul na estréia de sua seleção contra o Togo, na Copa de 2006, na Alemanha. A Coréia venceu por 2x1 e Chun Soo-Lee teve ótima participação.

Chun Soo-Lee foi atleta do Ferroviário durante o ano de 1996. O jogador coreano, trazido na época pelo ex-atacante Mirandinha, desenvolveu suas habilidades nas escolinhas da Barra, num intercâmbio inédito desenvolvido naquela oportunidade pelo presidente Clóvis Dias.

Além de Chun Soo-Lee, o então treinador coral Mirandinha trouxe mais quatro jogadores, três japoneses e mais um coreano. Além da lateral-esquerda, Lee também joga bem na frente, como ponta. Desde que saiu do Ferroviário, o jogador passou por clubes do futebol coreano e pelo Real Sociedad e Numancia, ambos da Espanha.

Fonte: Site do Ferrão.

Torcedor: conheça seus direitos

O esporte brasileiro, especialmente o futebol, por muitos anos caracterizou-se por extrema desorganização e desrespeito aos torcedores. Episódios como alterações no regulamento durante a competição ou após o seu término para beneficiar “Clubes Grandes” eram comuns. As “viradas de mesa”, como essa prática é conhecida, foram utilizadas para evitar que equipes de grande torcida fossem rebaixadas para a segunda divisão, como ocorrido com a criação da Copa João Havelange em 2000 quando o Fluminense, campeão da Série “C” de 1999 foi alçado à Séria “A” sem que disputasse a “B”.

A falta de cuidado com os torcedores teve como conseqüência duas tragédias ocorridas em finais de campeonatos brasileiros. Em 1992, na final entre Flamengo e Botafogo, a grade proteção cedeu e dezenas de torcedores caíram de uma altura de mais de 10 metros, alguns morreram. No ano 2000, em São Januário (também no Rio de Janeiro), na partida entre Vasco das Gama e São Caetano, a superlotação do Estádio culminou com a derrubada do alambrado, mortes e a adiamento da partida.

A essas situações somam-se diversas outras e, ainda, a falta de transparência na administração e gestão dos Clubes e dos eventos esportivos.

Em razão destas peculiaridades, a Lei 8078/1990, denominada “Código de Defesa do Consumidor” se mostrou insuficiente para assegurar os direitos do Torcedor, até mesmo porque a referida norma em interpretação sistêmica com a Lei Pelé, assegurava apenas os direitos de quem adquirisse ingressos.

Por esta razão, em 2003, foi promulgada a Lei 10.671, o “Estatuto do Torcedor”, com o objetivo de proteger especificamente os consumidores do esporte, ante as suas necessidades específicas, passando a considerar Torcedor todo indivíduo que aprecie ou acompanhe eventos esportivos.
A referida norma foi um verdadeiro marco na história do desporto brasileiro, especialmente do futebol. Os ingressos (bilhetes) e assentos passaram a ser numerados e os torcedores a ter o direito ao seguro por danos sofridos no evento esportivo.

As competições passaram a ser transparentes, instituindo-se um Ouvidor para receber críticas, sugestões e observações acerca da tabela e regulamento das competições.
E, pela primeira vez, desde que o Campeonato Brasileiro de Futebol passou a ser disputado em 1971,, a competição de 2003 teve o sistema de “pontos corridos”, onde a equipe que, após os dois turnos, marcasse o maior número de pontos seria declarada campeã.

Apesar dos consideráveis avanços, ainda há muito o que ser implementado a fim de que o torcedor brasileiro seja, de fato, respeitado.

Entretanto, para que os direitos do torcedor sejam realmente respeitados e aplicados, indispensável que o próprio cidadão confira legitimidade à legislação, pleiteando o cumprimento da lei sempre que se sentir lesado.

Assim, ainda há muito o que ser feito, especialmente no que diz respeito à infra-estrutura. Por isso, espera-se que os competidores, os organizadores e o Pode Público valorizem o motivo maior da existência do deporto, ou seja, o torcedor, especialmente neste momento tão especial para o esporte brasileiro, quando, o país sediará os dois maiores eventos esportivos do Mundo: A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O país será, portanto, durante os próximos sete anos a vitrine do mundo e terá a oportunidade de mostrar ao mundo sua capacidade de organização de grandes eventos.

Escrito por: Gustavo Lopes Pires de Souza, autor do livro: “Estatuto do Torcedor: A Evolução dos Direitos do Consumidor do Esporte”.

19 de junho de 2010

Veto reabre debate por custeio de arenas

Em última instância, quem vai pagar a conta de arenas para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil? Anunciado na última quarta-feira, o veto da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do comitê organizador local (COL) ao Morumbi, estádio escolhido por São Paulo para representar a cidade no torneio, reaqueceu um debate sobre esse tema.

Pouco depois de a decisão ter sido anunciada, nota emitida pela Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo, endossada pela prefeitura, rechaçou a possibilidade de usar dinheiro público para a construção de uma nova arena na região.

O governo federal também se eximiu. Em entrevista coletiva concedida em Johanesburgo, na África do Sul, o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, passou a responsabilidade ao comitê local.

"O governo federal assinou um termo com a Fifa e se comprometeu a cumprir 11 exigências para realizar a Copa do Mundo, mas nenhuma delas era relacionada a estádios. Isso consta de um documento que as cidades acertaram com a Fifa. Portanto, é uma responsabilidade da região", explicou o ministro.

Segundo Silva Júnior, o governo federal foi procurado no início do ano passado por representantes das 12 cidades-sedes. Eles argumentaram que a crise financeira internacional dificultou a busca por parceiros comerciais e pediram ajuda na forma de crédito facilitado.

O governo federal colocou uma linha de crédito de R$ 400 milhões à disposição das cidades via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, entidades privadas responsáveis por estádios não conseguiram reunir garantias necessárias para tomar a receita.

Fonte: Máquina do Esporte.

Ministro admite crise sobre Copa-14

O Morumbi está fora da Copa. A Arena da Baixada, de Curitiba, também pode ser cortada. Três anos depois de ter sido anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, o Brasil escancarou nesta quarta-feira a maior crise de seu projeto para a competição.

O cerne do problema enfrentado pelo Brasil é a estrutura de estádios. "Nós sabemos que, quanto mais essa situação é protelada, mais o custo aumenta. E algumas definições têm sido adiadas constantemente", admitiu o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, nesta quarta-feira.
O dirigente esportivo do Brasil reconheceu que o projeto nacional vive momento delicado: "É uma crise importante, sim. Os estádios são parte fundamental para a realização de uma Copa do Mundo, e nós temos encarado problemas com alguns deles".

O projeto brasileiro para 2014 está espalhado por 12 sedes. Entre essas cidades, três contam com estádios privados (Curitiba, Porto Alegre e São Paulo). O restante das reformas de arenas está dividido entre iniciativas privadas e parcerias público-privadas.

"Na maior parte dos casos, temos projetos aprovados e uma estrutura se desenvolvendo. O que é preciso é que as coisas comecem a funcionar", cobrou o ministro.

Silva Júnior repetiu nesta quarta-feira o tom que havia adotado em outras entrevistas recentes sobre a Copa do Mundo de 2014. De forma enfática, ele disse que os estádios são a única preocupação do comitê organizador local (COL) sobre o torneio. "Temos confiança sobre os projetos de infraestrutura e o andamento dessas obras. O que nos deixa aflitos é essa indefinição sobre estádios. Os comitês locais precisam honrar o que eles assinaram", concluiu.

Fonte: Máquina do Esporte.

18 de junho de 2010

Kassab deu aval para veto ao Morumbi

Prefeito teria feito acerto com Ricardo Teixeira em encontro na fazenda do dirigente da CBF

Uma pessoa próxima ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirma que a exclusão do estádio do Morumbi da Copa de 2014 durante o Mundial de 2010 estava planejada em detalhes desde o Brasil. O script até teria sido acertado com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na visita que este fez à fazenda do primeiro, em Barra do Piraí (RJ), há algumas semanas.

Kassab estaria de acordo com a decisão, que abre espaço à construção de uma nova arena, que, segundo esse dirigente disse à De Prima, não ficará em Pirituba. No futuro, esse estádio deverá ser o palco onde o Corinthians irá atuar – em um acordo que já teria a concordância do presidente do clube, Andrés Sanchez. O corintiano deve anunciar na sua volta o novo estádio.

Clique aqui e confira cronologia da 'novela' Morumbi.

Fonte:
LANCEPRESS!

‘Barras bravas’ são presos, e polícia sul-africana planeja deportação

Semanas antes do início da Copa do Mudo de 2010, autoridades sul-africanas se reuniram para discutir uma possível proibição da entrada dos fãs argentinos de olho na segurança das praças esportivas. O objetivo era cruzar informações e impedir a viagem de torcedores que tinham pendências judiciais. Alguns resultados já estão demonstrando a eficácia do planejamento.

Nesta quarta-feira, a polícia local confirmou a apreensão de 17 ‘barras bravas’. Os sul-americanos teriam invadido um local que hospedava 165 torcedores da seleção albiceleste. Agora, eles não poderão mais ficar no país.

Segundo as autoridades, os ‘hooligans’ argentinos tentaram entrar no estádio que recebeu o jogo de estreia da seleção de Maradona, contra a Nigéria, sem ingresso. Além disso, apresentaram comportamento violento em várias ocasiões, algo que também contribuiu para a decisão de prendê-los.

A polícia diz que os 17 homens foram entregues para o Departamento de Assuntos Internos da África do Sul, que será responsável pela deportação. Outros cinco argentinos deixaram a África do Sul de forma voluntária nesta manhã.

Clique aqui
e saiba mais sobre os Barra Bravas.

Fonte: Agência de notícias.

17 de junho de 2010

A Copa do Mundo e a romantização da pobreza


Thiago Hastenreiter, de Santos (SP)


• O mundo assiste o continente africano sediar pela primeira vez a Copa do Mundo de futebol. O berço da humanidade, que teve suas riquezas naturais saqueadas, seus homens e mulheres raptados e transformados em escravos-mercadorias, andava esquecido, submersa nas epidemias de AIDS, até que a África do Sul se tornasse palco do maior espetáculo da Terra.

Muitos duvidaram desse feito, inclusive o atrapalhado (com as palavras) Pelé. Em janeiro desse ano, o ônibus da delegação do Togo, que participava da Copa Africana, sofreu um atentado terrorista realizado por uma organização angolana, o que levou muita desconfiança sobre as reais possibilidades da África do Sul sediar um evento desse porte.

Mas hoje a Copa é uma realidade e África do Sul pavimenta uma estrada que será percorrida amanhã pelo Brasil. O mundo parece redescobrir a África, e a mídia trata de romantizá-la, destacando a euforia de seu povo, suas danças típicas, sua fauna exuberante, seus rituais religiosos obscurantistas e suas “harmoniosas” vuvuzelas.

Os responsáveis pela condição de lumpenização do continente africano, onde as populações esperam cair dos céus os mantimentos para sobreviverem mais um dia, são os mesmos que exaltam a riqueza cultural desse povo sofrido. A pobreza aparece como algo abstrato, vindo quase do além, e é na prática varrida para debaixo do tapete. Para quem não sabe, milhares de famílias foram removidas de suas residências e submetidas a condições ainda piores, em casas de lata de 18m², para não estragar a paisagem no percurso entre os aeroportos e os grandes centros.

Muito se falou das greves da construção civil que ameaçaram o levantamento dos novos estádios meses antes do início da Copa, mas não foi divulgado em que condições trabalhavam esses operários. O salário desses trabalhadores era de 4,50 rands, ou R$1,10 por hora! Esses operários que ergueram verdadeiros santuários do futebol ficarão do lado de fora dos estádios, e assistirão às partidas pela televisão. Ao mesmo tempo tão perto e tão longe do show.

O clima passado pelos repórteres estrangeiros é de como se tivessem vivendo uma aventura, um safári onde, a todo momento, esbarram com o exótico povo africano. O regime do Apartheid, de segregação racial e social, abolido oficialmente em 1990, ganhou uma nova roupagem, muito mais amena, pretensamente mais simpática, mas não menos preconceituosa.

Tratam o racismo como um problema do passado. Antes havia banheiros separados para brancos e para negros. Escolas para brancos e escolas para negros. E hoje todos freqüentam os mesmos lugares. Isso é mentira. Os negros continuam guetizados em seus bairros e ocupam os mais baixos estratos sociais. Enquanto a elite, dona das grandes corporações capitalistas, é branca. Isso é um fato.

Sem dúvida, a revolução democrática que colocou abaixo o regime segregacionista do Apartheid foi uma vitória colossal das massas. No entanto, essa revolução que poderia ganhar um conteúdo também social, foi freada e desviada para dentro da institucionalidade burguesa, através da eleição de Nelson Mandela em 1994. Aí está o motivo pelo qual o imperialismo reverencia tanto a figura de Mandela. Ninguém melhor que o líder negro, que esteve preso por mais de 30 anos, que tinha como lema "Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!", para pregar a conciliação e a paz entre as classes historicamente antagônicas.

Terminada a Copa da África os olhos se voltarão para o Brasil. 2014 é logo ali. Aí, mais uma vez, a pobreza será relativizada e ganhará a melodia do samba, da “mulata” e do futebol.

Fonte: Site do PSTU

Campeões europeus pressionam defesa adversária, mas confirmam fama de falhar em Copas do Mundo

Mesmo com seu toque de bola característico e com domínio quase que total das ações ofensivas, a Espanha não foi capaz de vencer a seleção suíça em sua estréia na Copa da África. Os rivais mostraram a mesma eficácia defensiva do Mundial de 2006, quando terminaram o torneio sem levar sequer um gol.

Durante todo o primeiro tempo, a Suíça não atacou. Seus jogadores de frente, Nkufo e Derdiyok, ficaram isolados sem poder agredir o adversário. Em contrapartida, a Espanha tocava a bola com tranquilidade na intermediária ofensiva, chegando a alcançar 83% de posse de bola com quase 20min. O meio-campo do Barcelona, Xavi Hernández, dominava o setor, ditando o ritmo do jogo. Ao todo foram 80 passes certos do camisa 8, destaque neste quesito.

A Fúria, como é chamada justamente devido ao seu ímpeto ofensivo, atacava com Iniesta, que monopolizava as ações pelo lado esquerdo do campo. Porém, David Villa não dava opções de passe, já que pouco se movimentava, sofrendo com a marcação suíça. O centroavante foi o terceiro jogador do time que menos recebeu bolas, atrás apenas do goleiro Casillas e do zagueiro Puyol.

Na segunda etapa, os espanhóis começaram a demonstrar nervosismo com a dificuldade de marcar. Os suíços aproveitaram para acionar seus atacantes que antes mal participavam do jogo. Aos 6min, após um chutão do goleiro, o ataque suíço tabelou e Derdiyok ficou na cara do gol. Casillas ainda abafou, mas a bola sobrou para Fernandes empurrar para a rede.

Em busca do empate, o comandante da Espanha, Vicente Del Bosque, realizou as três substituições possíveis. Pedro entrou na ponta esquerda no lugar de Iniesta, Navas na direita e Fernando Torres, que volta de uma grave lesão no joelho direito, mais centralizado ao lado de Villa.

O resultado foi uma pressão constante contra o sistema defensivo da Suíça. Até o zagueiro Piquet subia para o ataque como um líbero (veja sua área de atuação). Foram 12 finalizações contra a meta de Benaglio só no segundo tempo.

Entretanto, as tentativas da Fúria esbarravam na zaga adversária. Com um time de alta estatura, os suíços bloqueavam todas as bolas aéreas. Durante toda a partida ocorreram incríveis 45 cruzamentos errados.


A Suíça acabou premiada por sua competência tática e garantiu seus três primeiros pontos no Grupo H. Agora, a seleção já acumula 394 minutos sem levar gols em Copas do Mundo.

Para ver a análise completa da Scout Online, clique aqui.


Fonte: Universidade do Futebol.

Seleção nacional tem estreia difícil, apresenta desenvolvimento na segunda etapa, mas sofre gol nos minutos finais

O maior vencedor da história das Copas do Mundo teve muitas dificuldades diante de um adversário inexpressivo no cenário global. Após o apito inicial, a equipe comandada por Carlos Dunga demorou quase uma hora para vazar o goleiro Ri Myong Guk, da Coreia do Norte. Com Maicon, primeiro, e Elano, na sequência, a seleção brasileira garantiu o resultado positivo, que ficou um pouco abafado pelo desconto de Jy Yun Nam, aos 42min do segundo tempo.

Os três pontos garantidos pela vitória colocaram o Brasil na ponta do Grupo G, já que no duelo entre os outros dois concorrentes, Portugal e Costa do Marfim apenas empataram sem gols – os africanos são os próximos adversários, em duelo no domingo (20).

Diante da teórica equipe mais fraca da chave, a seleção verde-amarela, mais do que nervosismo, apresentou problemas na transição ofensiva e na criação de jogadas laterais. Felipe Melo, alvo de boa parte das críticas de torcedores e imprensa no período de preparação para o Mundial-10, era quem dava início às ações.

O camisa 5 efetuou, apenas nos primeiros 45 minutos, o total de 49 passes. Apesar de a maioria destes ter como direcionamento companheiros que estavam mais próximo dele, Melo se destacou nos lançamentos – foram quatro certos.

Uma das inversões mais longas, inclusive, resultou no gol inaugural. Aos 10min da etapa final, quando o Brasil já exercia um volume mais efetivo no campo de defesa norte-coreano, Melo, posicionado na faixa esquerda da intermediária, lançou Elano. O meio-campista dominou e esperou a passagem de Maicon, que foi à linha de fundo e chutou em direção à meta defendida por Ri Myoung Guk.

O lateral-direito apareceu com propriedade em outras oportunidades. Defensivamente, realizou quatro desarmes, mas quase não foi incomodado pelos atacantes rivais. Apenas Jong Tae-Se, o “Rooney Asiático”, que jogou isolado à frente, despertou a atenção dos zagueiros – em especial de Juan, impecável na maioria dos embates.

Confira no fluxograma o posicionamento de Maicon. Quando o Brasil buscou de maneira mais incisiva o ataque, o jogador da Inter de Milão foi o mais acionado (recebeu 34 vezes a bola), trabalhando passes ao lado de Elano e Daniel Alves. Este substituiu o atleta do Galatasaray no instante seguinte ao gol anotado por ele, após belo passe de Robinho.
No fim, a Coreia do Norte, 105º time do ranking da Fifa, acabou premiada pela sua dedicação. Jy Yun Nam, autor de seis desarmes, encontrou espaço no lado mais forte e seguro do sistema defensivo sul-americano, entre Lúcio e Maicon, e finalizou com força. Júlio César não teve chance de defesa.


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Fonte: Universidade do Futebol.

Para acabar com a negociata no futebol! Somos todos St. Pauli!!!!!

Em seu ano do centenário, o St. Pauli, clube ícone da esquerda alemã, conseguiu, dia 8/06, o acesso para a primeira divisão do Campeonato Alemão, da qual estava fora desde a temporada 2001/2002.

"Foi fantástico. Depois de quase falir, conseguimos chegar lá. Todo o distrito está em festa. Havia comemorações de mais de 80 mil pessoas", disse Maarten Thiele, estudante de Ciências Sociais e torcedor há 9 anos do St. Pauli.

"A comemoração foi incrível. Conseguimos o acesso fora de casa e eu estava lá, acompanhando o time. Invadimos o campo e celebramos com os jogadores, todos se abraçaram, pularam e cantaram. Eu não conseguia acreditar. Foi um dos dias mais felizes da minha vida", disse.

Localizado no bairro portuário de Sankt Pauli, ponto tradicionalmente alternativo de Hamburgo, é hoje um dos clubes mais populares e queridos da Alemanha, com 11 milhões de torcedores.

A razão de tanto carinho vem do pouco tradicional perfil do clube: é contra o racismo, o fascismo, a homofobia e o machismo por estatuto e é identificado com os movimentos anticapitalistas europeus. Seu presidente não é um bilionário, dono de grandes corporações e de reputação duvidosa, como o italiano Silvio Berlusconi, dono do Milan. Corny Littmann é homossexual e diretor teatral. Patrocionado por uma loja de artigos eróticos, tem na bandeira pirata, com a caveira e os ossos entrelaçados, seu emblema extra-oficial.

O bairro de Sankt Pauli recebeu milhares de imigrantes na década de 60, o que fez com que o tradicional clube que lá existia desde 1910 se identificasse com a emergente luta da classe trabalhadora da periferia de uma das cidades mais ricas da Alemanha. Hoje em dia, o estádio é rodeado por ocupações do movimento anarquista e as ruas do bairro se tornam festas gigantes sempre que tem jogo do time local. Manifestações fascistas, de extrema direita foram banidas dos jogos do time na década de 80, quando o hooliganismo xenófobo crescia assustadoramente na Europa.

Após a conquista do acesso, haverá um grande festival de cultura(http://community.fcstpauli100/) e um torneio antiracista (http://www.antira-stpauli.org/), cuja renda será revertida para iniciativas sociais do distrito. A iniciativa parte de uma torcida organizada (ultras) que realiza ações sociais para imigrantes sem moradia.

Muitos dos fãs também se organizam em grupos de luta por direitos do torcedores e contra a mercantilização do futebol. Na segunda divisão, aconteceram partidas nas segunda-feiras, o que a torcida considerou injusto, pois muitos trabalhadores não puderam comparecer. Em protesto, a torcida passou os primeiros 20 minutos de uma partida entoando músicas contra as emissoras de televisão. Dentro e fora do estádio, abundam cartazes de conotação política. Se o clube mantém seu caráter independente, sem dúvida essa força vem das arquibancadas. "É mais do que somente futebol. Há uma identificação com o bairro, com a sua gente. Ser anticapitalista, é um estilo de vida", disse Thiele.

Com apoio massivo pelo mundo, são mais de 500 fãs clubes, e contando com a simpatia de bandas como o Bad Religion e Asian Dub Foundation, o St. Pauli tem uma alta média de público - quando estava na terceira divisão chamava 15 mil pessoas por jogo contra a média de 200 da competição. A torcida faz de cada jogo um evento político com bandeiras, mensagens politizadas e cantos contestadores. Os punks, com seu visual chamativo, também marcam presença nas arquibancadas e atraem bastante atenção da mídia.

O clube sempre começa seus jogos com uma música da banda de rock AC/DC e toca a Song#2 do Blur quando saem gols. O St. Pauli também tem um dos últimos placares manuais do futebol europeu. Toda vez que um gol é marcado, um funcionário atualiza a plaquinha. O Estádio Millertorn, casa do St. Pauli, não pode vender por determinação estatutária o nome a uma marca, como aconteceu com o Bayern de Munique e uma empresa de seguros que financiou a Allianz Arena. "Uma vez uma empresa tentou colocar um mascote no estádio. Foi expulso com um banho de cerveja". disse Maarten. O mesmo já aconteceu com uma propaganda machista, que foi jogada ao lixo pela torcida.

Até o ídolo do time participa deste espírito coletivo. Afinal, ele poderia ser mais uma vítima da xenofobia contra imigrantes, um problema bastante atual na Europa. Alemão e filho de pais turcos, Deniz Naki se identificou especialmente com o clube. Durante a disputa da segunda divisão, fez um gol contra o Hansa Rostock, equipe relacionada com a direita alemã. Na comemoração, dirigiu-se a torcida adversária, fez o gesto de que iria cortar-lhes o pescoço e fincou a bandeira pirata no gramado.

Na última vez em que esteve no topo do futebol alemão, derrotou o campeão mundial Bayern de Munique e alguns preconceitos. O que reservará a próxima temporada? Para Thiele, as expectativas superam o futebol: "espero que ele mantenha sua atitude, que estar na primeira divisão não signifique fazer concessões. Tenho confiança de que continuaremos nadando contra a corrente", afirmou.

Escrito por: Pedro Ribeiro Nogueira.

Saiba mais sobre o St. Pauli:
http://gazzetta. blogsport. de/, http://usp.stpaulif ans.de/, http://www.stpauli- fanladen. de/english/, http://www.myspace. com/punkrockstpa uli

16 de junho de 2010

A ligação íntima entre futebol e política

A Copa do Mundo e as eleições dividem as atenções da agenda pública brasileira em 2010 e a forma como isso é noticiado gera diversos debates. Com a proposta de reunir pessoas qualificadas para falar sobre os dois temas mais importantes do ano, acontece nesta semana em Curitiba o evento “Agenda 2010: futebol e política”, no Paço da Liberdade.

Na última quarta-feira (05), primeiro dia do evento, a conversa passou por vários aspectos relevantes em relação ao tema e criticou o jornalismo nacional. A proposta inicial na discussão foi abordar a forma como a mídia se porta frente às relações entre grandes eventos, como os que vão acontecer no Brasil e no mundo neste ano.

O primeiro ponto abordado foi a divisão ou, na visão dos debatedores, a não-divisão entre os temas. De acordo com eles, o debate político que a eleição normalmente causa vem sendo ofuscado pelo mundial da África do Sul. Segundo o repórter da revista Carta Capital, Leandro Fortes, o que, em partes, explica essa disparidade é o fator emocional relacionado à Copa do Mundo e a falta disso em relação às eleições.

Ele argumenta que o brasileiro cria, principalmente em época de Copa do Mundo, uma identificação muito forte – e artificial – com o país, o que não ocorre na hora de escolher os governantes. "A concentração do imaginário do povo se volta para a celebração do grande evento esportivo e a concentração midiática segue a maré", opina Fortes.

Jornalismo de torcida

Uma das maiores críticas levantadas no debate foi relacionada à qualidade e aos propósitos do jornalismo – tanto o político quanto o esportivo. Fortes defende a idéia de que a maior – e pior – semelhança entre esses dois tipos de textos está na forma como a defesa de certos times, seleções e candidatos são feitas. “Não existe de fato cobertura política no Brasil”, critica.

Segundo ele, o que existe, tanto na área esportiva quanto política, é um jornalismo declaratório, o que vai contra a base da profissão. ”A função do jornalista é usar uma linguagem simples e crítica”, alega, num misto de diagnóstico presente e solução para o futuro.

Esporte e política

Para o mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) Joaquim Toledo Junior, a política e o esporte estão relacionados também no legado deixado por eventos como Copa do Mundo e Olímpiadas para as cidades-sede. O professor da PUC-SP e doutor em ciências sociais José Paulo Florenzano aponta outra relação entre as duas esferas, ele considera que houve tentativa dos meios políticos de se apropriar do discurso esportivo. Segundo o professor, isso ocorreu através da utilização das vitórias esportivas em prol da legitimação do governo. Florenzano levantou dois exemplos contrastantes: as copas de 1970 e 1974.

Na primeira, a escolha do selecionado brasileiro sofreu influências que ficaram marcadas na história. Entre os agentes dessa influência, além da comissão técnica, do grupo de jogadores e da opinião pública, estava o governo, na figura do presidente Emílio Garrastazu Médici. Conta-se que o presidente exigiu a escalação de determinados jogadores, fato que causou, meses antes da copa, a troca de João Saldanha por Zagallo no comando da equipe.

Em 1974, os jogadores brasileiros, respaldados pela vitória em 1970 e insatisfeitos com as críticas da imprensa, assinaram um manifesto em que prometiam não falar mais com os jornalistas, episódio que ficou conhecido como o Manifesto de Glascow.

Fonte: Jornal Comunicação.

15 de junho de 2010

Crise política pode incentivar a Grécia na Copa, afirma Arsene Wenger

Conhecido por seu perfil estrategista, Arsene Wenger acredita que a Grécia pode ter uma motivação a mais na Copa do Mundo. Ao contrário do que muitos podem pensar, para o técnico do Arsenal, que já flertou com a política e quase deixou o clube inglês em 2007 para tentar uma vaga no parlamento, a crise econômica grega tem chances de incentivar a seleção a se superar na África do Sul. Entenda: a crise na Grécia

- O que se pode dizer da Grécia é que os problemas políticos no país podem acabar tendo um efeito positivo em sua campanha no Mundial. É uma questão psicológica para os jogadores – afirma o técnico ao jornal inglês "Telegraph".

Wenger compara a situação da Grécia com a da Itália de 2006. A atual campeã do mundo passava por um momento de escândalo de corrupção na federação nacional de futebol quando conquistou o título na Alemanha.- Seria um alívio para os gregos, similar como o que foi para os italianos há quatro aos. Eles tiveram a crise no futebol e, mesmo assim, venceram a Copa do Mundo – concluiu.

Fonte: Agências de notícias.