24 de julho de 2010

Racismo no futebol


Datado de 2005, Abdias Campos, escreveu Racismo no Futebol, onde discute o racismo e preconceito no futebol, motivado por fato real entre jogador brasileiro e argentino. A capa traz uma xilogravura de Dila, de Caruaru/PE.




RACISMO NO FUTEBOL
Autor: Abdias Campos

(1)
Neste folheto de versos
Minha homenagem singela
Aos jogadores negros
Que sofrem com a mazela
Do racismo inoportuno
De decadente tabela

Vamos fechar a janela
Na cara dessa vergonha
Combater com veemência
A atitude bisonha
do racismo que apregoa
A jogada mais tristonha

Em todo canto do mundo
Tem-se ouvido um grito só
Do gramado à arquibancada
O campo de futebol
Virou palco de racismo
Que chegamos a ter dó

(2)
Dó de saber qu’inda há
Dentro dos seres humanos
Esses sentimentos podres
Que provocam desenganos
Quando nos julgamos mais
Mais nos tornamos insanos

Jogam bananas no campo
Quando o negro jogador
Pega a bola e vai
Com seu jeito driblador
Encantando aos que sabem
Quais os meandros do amor

A vida não pede cor
Para aquele ou para aquela
A quem pintou nesse quadro
A mais bonita aquarela
Trazendo a arte da bola
Por entre as traves da tela

(3)
Entretanto esta querela
Da cor da pele da gente
Parece ter importância
Para muitos que a mente
Infelizmente parou
Nada enxergou pela frente

Tem francês na Inglaterra
Brasileiro na Espanha
Tem negro por toda a parte
Que com sua arte assanha
A sanha dos infelizes
Matizes da artimanha

Aqui, os vizinhos nossos
Nossos irmãos argentinos
Coitados parecem cegos
Em seus loucos desatinos
Confundido entre as cores
“Los irmanitos bambinos”

(4)
Chamam Grafite de negro
Negrito sim, sim sinhô
Negrão que é bom de bola
Exemplo de jogador
Que tem o vício de ser
Um grande goleador

Mas quem repara na cor
Para se posicionar
Dificilmente consegue
A outro identificar
Tenta vê, mas não há luz
Para que possa enxergar

Somos irmãos uns dos outros
Preto, amarelo, branquinho
O preconceito, sim, erra
Por desviar o caminho
Nunca acertará o gol
Porque só joga sozinho

(5)
Quem pensa que é maior
Sofrerá a queda imensa
Pois sua alma flutua
Numa camada suspensa
Sem base nenhuma vive
A mercê dessa doença

Futebol arte do povo
Para o qual foi coroado
Um negro que até agora
Não pode ser igualado
Em virtude do que fez
Quando esteve no gramado

Como é que então essa gente
Comete tanta asneira
E ainda assim consegue
Repetir essa besteira
À frente de autoridades
Que não saem da cadeira?

(6)
Mas houve uma vez primeira
Foi um homem/delegado
Que pôs a mão num sujeito
Jogador intitulado
De xerife na Argentina
Que perdeu seu rebolado

O dito foi acusado
De racismo em pleno jogo
Tentou se sair por cima
Mas acabou com o fogo
Quando se viu enjaulado
Sob a custódia do rogo

Esses processos deviam
Ser de fácil conseqüência
Agrediu com preconceito?
Depois de tomar ciência
A justiça prescrevia
Receita de consciência

(7)
Ao invés de uma prisão
Entre paredes escuras
Essas pessoas, por lei
Que atingissem criaturas
Teriam que aprender
A viver suas culturas

Seus costumes ancestrais
Suas danças, a comida
Seus cantos e vestimentas
Seus sotaques, sua lida
Seus motivos de alegria
A sua dor contraída

Levariam-na a um quilombo
Um gueto remanescente
Entregaria ao chefe
Um conselheiro da gente
Que se perde quando fala
Mas se cala quando sente

(8)
Deixaria o meliante
O tempo que precisasse
Até ele alcançar
A transformação da face
Ao invés do preconceito
A este ele rejeitasse

No futebol, na escola
No campo e na cidade
Na beira-mar, no Sertão
Que a nossa felicidade
Seja de ter nosso irmão
No mesmo pé-de-igualdade

Racismo: cor da maldade
Do infeliz que o conduz
Ainda bem que existe
Pela remissão da cruz
Perdão à quem se arrepende
Pela graça de jesus.

Fonte: http://www.camarabrasileira.com/cordel02.htm

E 2010 segue em frente


Chargista: Lute

23 de julho de 2010

Maradona: Chávez é uma 'pessoa fantástica e um defensor do Sul'


CARACAS — O técnico da seleção argentina de futebol, Diego Maradona, foi recebido nesta quinta-feira pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que disse que "admira desde sempre" por ser uma "pessoa fantástica" e um "defensor do sul".

"Para mim é realmente um orgulho poder estar ao lado do presidente Chávez, porque ele luta pela gente, por seu país, por seus ideais, e estou com ele até a morte", disse Maradona no palácio presidencial de Miraflores em Caracas, onde foi recebido pelo presidente venezuelano.

"Todo o povo venezuelano te admira desde sempre, você é um defensor do sul", disse Maradona a Chávez, depois de assegurar que o considerava "uma pessoa fantástica".

A pedido de Chávez, Maradona estenderá sua visita para acompanhar a inauguração do torneio de futebol feminino dos XXI Jogos da América Central e do Caribe Mayaguez 2010, que serão disputados na Venezuela esta semana.

"Te consideramos venezuelano, Diego. Argentinos, não fiquem com ciúmes", disse Chávez.

Maradona tinha visitado Caracas pela última vez no início de 2009 e participou de atos políticos com Chávez.

Maradona prevê reunir-se na semana que vem em Buenos Aires com o titular da AFA, Julio Grondona, para discutir seu futuro à frente da seleção argentina, que foi eliminada da Copa da África do Sul nas quartas de final.

Fonte: AFP

Caso Bruno, o espelho de uma sociedade capitalista em completa decomposição

Após o fracasso da seleção brasileira com a eliminação da Copa do Mundo e a frustração dos anunciantes, a mídia buscou encher seus noticiários com mais um episódio envolvendo jovens em um crime. E mais, de um famoso jogador de futebol, o goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes. Para chamar atenção e ganhar uns pontos a mais no “Ibope” foi necessário rechear o crime com fortes doses de sensacionalismo macabro.

De quebra, tal como ocorrera no episódio dos Nardoni há dois anos, a manipulação dos fatos, principalmente pela Rede Globo, é algo explícito: a investigação é totalmente falha, não há provas concretas; há apenas suspeitos e a polícia corrupta colabora com a comoção manietada pela emissora dos Marinhos. No entanto, o réu em questão já está condenado antecipadamente pela opinião pública. No circo midiático, sangue e desgraça de outrem são peças altamente rentáveis. Contudo, esta é apenas a casca do ovo.

HÁ MUITO MAIS A SE ENTENDER DO QUE O “ESPETÁCULO” MONTADO PELA MÍDIA

É preciso ter a compreensão de que nos tempos atuais o esporte mercantilizado, no caso o futebol, perdera seu caráter amador, transformando-se em verdadeiras empresas em busca de lucro. Clubes formam jogadores, alguns poucos privilegiados que superam a peneira das categorias de base, para que sejam negociados como mercadoria a clubes europeus. Estes jogadores ganham grandes fortunas antes mesmo de serem “vendidos” beneficiados por salários e cotas de patrocínio. A grande maioria deles advêm de famílias muito pobres e humildes, tendo nas favelas desde a infância vínculos com traficantes e grupos de extermínio formados por policiais. Aqui há um campo fértil para que, por exemplo, atletas multimilionários atuem não como esportistas, mas na condição de verdadeiras máfias em contato com o mundo do crime organizado.

O capitalismo bestificante faz com que as relações interpessoais sejam cada vez mais vazias, individualistas, superficiais e, bastante comum, prostituídas em busca de status social e poder. Neste contexto, o caso Bruno é apenas um elo desta corrente que aprisiona política e ideologicamente as pessoas dentro do atual regime. A chamada geração “orkuteira” é a expressão mais bem acabada destas concepções, na qual o que mais vale é a forma não o conteúdo, ou seja, a superficialidade, não as relações balizadas por verdadeiro espírito de companheirismo e de um projeto de vida em comum.

O MÉTODO MARXISTA: PARA ALÉM DAS APARÊNCIAS

O feminismo burguês, encampado lamentavelmente pela esquerda revisionista não vai a fundo ao que tange às causas que levaram o ex-atleta do Flamengo cometer o suposto crime contra uma “garota de programa” que pretendia vender seu corpo e de seu filho a quem melhor pagasse. Além do mais, esta esquerda sem os menores princípios de classe, reivindica que o Estado capitalista intervenha como resolução policial para estes casos, configurando um campo completamente distante da luta de classes e do marxismo revolucionário. Ontem defenderam a criação das delegacias da mulher para encarcerar os “operários machistas” e hoje são devotos da reacionária Lei Maria da Penha, revelando assim a ausência de qualquer independência de classe na questão feminista. Não podemos deixar de lado o caráter, já mencionado acima, mafioso do referido jogador proporcionado pelo enriquecimento abrupto e sem limites, e pela mercantilização (“coisificação”) da mulher, muitas das quais vendem seu corpo aos ricos jogadores de futebol na expectativa de ascensão social. Os grandes meios de comunicação difundem cotidianamente na população a ideologia burguesa de que a mulher deve ser esteticamente “perfeita” para ter “algum valor” no mercado da sociedade. Por esta razão não podemos reduzir este caso simplesmente como mais um ataque bestial machista contra uma “ingênua” mulher proletária, Eliza é vitima e ao mesmo tempo foi parte integrante e ativa de uma engrenagem totalmente corrompida.

A mulher é encarada pelo sistema capitalista como uma mercadoria de consumo e quanto mais se adequar aos padrões de beleza capitalista mais se incorpora valor “agregado” a esta “mercadoria”, isto é, quanto mais bela, mais alto o valor do “produto” no leilão de seres humanos. Semelhante situação ocorre inclusive nos casamentos atuais nas chamadas “famílias tradicionais” de classe média alta. Não à toa, disseminam-se em todo o mundo academias e clínicas estéticas, onde o culto ao corpo é a tônica e entendido como mais uma “necessidade” criada para o consumo de um produto.

No seio destas relações engrendram-se todo um arco de podridão: interesses meramente materiais e econômicos em detrimento de laços afetivos e/ou de camaradagem. A falsidade, agressões, belicosidade, espancamentos e assassinatos são as normas imperantes. Fenômeno similar a este sofrem a burguesia, artistas, atletas famosos e a classe média alta. Em suma, são relações típicas de uma sociedade em profunda decomposição, uma excrescência que a cada dia ganha terreno em uma época de intensa ofensiva imperialista sobre os povos do planeta onde se perdeu qualquer referência política no socialismo. Evidentemente, no caso do goleiro Bruno a parte socialmente mais frágil deste jogo de interesses, a mulher, foi brutalmente assassinada.

A ruptura com esta concepção de mundo burguesa só será possível através da violenta ação da classe operária contra seus algozes capitalistas, através da revolução socialista! A partir da qual pela necessidade de todo um coletivo, os interesses mesquinhos e podres oriundos da velha sociedade de classes serão pari passu extintos. Na edificação da sociedade comunista de amanhã será enobrecida a autêntica igualdade entre companheiros de relações afetivas e de vida conjunta, em que impere soberana e profundamente o sentimento de fraternidade entre o homem e a mulher socialistas.



Fonte: Site LBI.

18 de julho de 2010

Violência mancha o futebol brasileiro

Campeão da Copa das Confederações, pentacampeão mundial de futebol e, até recentemente, líder do ranking da Fifa, o Brasil ocupa uma posição nada honrosa no ranking da violência relacionada ao esporte. Estudo divulgado em 2009 pelo sociólogo Maurício Murad aponta que 42 pessoas foram mortas em confrontos envolvendo torcidas - dentro e nas imediações dos estádios, entre 1999 e 2008. Os dados são confiáveis, pois foram todos checados e conferidos pelos Institutos Médicos Legais (IMLs) e delegacias de polícia das cidades onde foram registradas as ocorrências.

Tristes episódios, como o de um torcedor corintiano espancado até a morte antes do duelo entre Corinthians e Vasco válido pela semifinal da Copa do Brasil, na noite de 3 de junho de 2009, em São Paulo, mostram que não apenas de glórias vive o “País do Futebol”.

A violência que mancha o futebol nacional é reflexo das mazelas sociais que campeiam pelo Brasil, violência esta que aumenta à medida que crescem a impunidade e a malversação dos recursos públicos. Essa combinação de fatores põe em cheque a capacidade de o Brasil sediar a Copa do Mundo em 2014, onde a segurança pública é um dos itens principais do catálogo de exigências da Fifa. Triste contradição!

A origem da guerra entre torcidas uniformizadas é a rivalidade insana do futebol. Não apenas no Brasil, mas também em países europeus e de outros continentes, o “povão” se envolve mais com futebol que com questões ligadas à religião ou à família, por exemplo. O que fazer para estancar essa violência irracional? Afinal, uma partida de futebol é tão somente uma partida de futebol. Deveria ser, mas infelizmente a “paixão” pelo esporte acaba acobertando verdadeiras escolas do crime.

O tema é momentoso e revela uma profunda crise de valores por que passa a sociedade contemporânea. A violência vai paulatinamente consolidando-se como uma linguagem universal entre os jovens. A internet serve de instrumento para a articulação de encontros entre “gangues” de torcidas, que usam o futebol para canalizar suas energias e deflagrar cenas de revolta e brutalidade.

O vazio cultural também encontra ressonância nos jogadores profissionais de todo planeta, cujos hábitos e valores já não servem de exemplo como outrora. Ao valorizar a posse de bens materiais, a sociedade de consumo ajuda a pintar um quadro, no qual futebol, comércio e violência formam cada vez mais, partes de um todo de difícil separação.

O problema deve ser enfrentado com pragmatismo, requerendo a intervenção direta do Estado e a mobilização da sociedade civil. Todos, a começar pelos dirigentes dos clubes profissionais e das federações de futebol, devem se envolver e articular acordos para coibir a violência crescente. É preciso aplicar medidas políticas, jurídicas e administrativas que sejam viáveis para transpor essa triste página do desporto nacional.

O Estatuto de Defesa do Torcedor (em vigência desde 2003) necessita ser mais amplamente divulgado, a fim de que os torcedores/consumidores estejam bem informados acerca de seus direitos e deveres para cobrar providências por parte dos clubes e do poder público. Igualmente salutar é a reforma do documento legal, no sentido de criminalizar ações de vandalismo praticadas por falsos torcedores. Há torcidas organizadas funcionando como verdadeiras associações civis, com sede própria, estatuto, CNPJ e corpo diretivo. À primeira vista, nada de errado, pois são grupos legítimos com os quais o Estado deve dialogar. Entretanto, há casos em que dirigentes de times criam laços promíscuos, por meio da manipulação de integrantes, chegando ao absurdo de permitir a isenção da compra do ingresso por facções das organizadas, estabelecendo-se uma relação tipicamente comensal ou parasitária.

A pouco mais de quatro anos de sediar a Copa do Mundo, o Brasil precisa agir rápido. Um aspecto crucial é promover a especialização de efetivos da polícia para atuar diretamente em ocorrências relacionadas a eventos esportivos. As autoridades públicas devem investir em recursos humanos e tecnológicos, como a implantação de um banco de dados informatizado, que reúna elementos úteis para uma ação de inteligência integrada por parte da polícia, Ministério Público e Poder Judiciário. Um primeiro passo para combater a impunidade no futebol seria a identificação dos líderes que conflagram a violência. Os jogos aglomeram multidões e na hora da confusão há sempre o insuflador, a quem os demais seguem. Câmeras potentes, de alta definição possibilitam a visualização real do tumulto, facilitando a prisão dos culpados e a conseqüente obtenção de provas que forneçam subsídios à ação estatal.

O combate à violência no futebol brasileiro só será eficaz quando o tema for inserido, de fato, no contexto macro da realidade nacional. Não adianta partir para a radicalização, pedindo a eliminação das torcidas organizadas. Isto atenta contra a democracia, já que representaria o fechamento de um espaço de convivência plural, que agrega cidadãos de diversas classes sociais.
Medidas enérgicas fazem-se prementes para frear o quadro tirânico e opressor reinante em nosso futebol. Ao mesmo tempo é necessário que o Estado esteja presente nas periferias, com campanhas sócio-educativas de inclusão social através do esporte, em parceria contínua com as comunidades e organizações da sociedade civil.


Escrito por: Lucas Nery.

17 de julho de 2010

Sócrates: "Imagina a Gaviões da Fiel politizada! Esse é o grande medo do sistema"

• Como você está vendo a organização da Copa do Mundo aqui no Brasil daqui a quatro anos?
Sócrates
Aqui no Brasil, ainda não há organização nenhuma, pelo que eu saiba. Na verdade, existe uma desorganização dirigida para que os investimentos que sejam alocados nas obras não passem por licitações, então estão protelando o máximo possível para que isso ocorra.

Você acha que é intencional?
É claro! Isso aconteceu no Pan-Americano, acontece sempre. Quanto mais demorado melhor, porque aí tudo é feito a toque de caixa, e a toque de caixa tem situação emergencial que vale a pena para desviar alguma coisa.

Você acha que a exclusão do Morumbi como um estádio da Copa tem a ver com isso?
Não tenho dúvida. Eles querem construir um outro estádio. Desde o começo estava na cara, criaram todo tipo de dificuldade. E acho que o São Paulo fez certo, fazer um investimento de 700 milhões no Morumbi? É mais fácil o São Paulo construir outro estádio.

Você acha que o interesse é mais econômico ou político?
É para-econômico. Não é nem econômico. Economicamente não poderíamos escolher Manaus em vez de Belém. Cuiabá como sede, onde eles vão ter que construir o estádio para depois ficar parado, Brasília a mesma coisa, Natal a mesma coisa. É não é interesse econômico. É desperdício de dinheiro. Desperdício econômico. É para-econômico, para desviar verba.

Você não vê o fato de o São Paulo ter encabeçado uma chapa de oposição na eleição do Clube dos 13 como um elemento para a exclusão?
Não, isso vem lá de fora. Todos os estádios vão ser reformados. Alguns com um custo absurdo. Deve ser a quinta ou sexta vez que fazem reforma no Maracanã nos últimos três anos. O Minerão também. Vão construir outro na Bahia. Entendeu? É pro dinheiro andar. Andando o dinheiro alguém tá ganhando. Seja quem constrói, quem administra. O único que não ganha é o povo.

Você sempre diz que atualmente o futebol tem mais força do que arte. Você acha que a Copa de 1982 foi um marco na consolidação do esporte como está hoje?
Não existe um divisor aí. O que ocorre é uma falta de adaptação do futebol com a evolução física dos atletas. A questão não é só filosófica, claro que isso faz parte do processo. Mas ela é muito mais dependente da questão física. Inclusive na minha tese de mestrado, seria nove contra nove, tirar dois jogadores de cada time. Quer dizer, você resgatar os espaços que tínhamos há anos atrás. Então vão ter que jogar. Hoje tem gente que se esconde. Você pega um back central da vida ai que não sai do lugar. A única coisa que ele faz é chutar a bola pra frente, pro lado, isso não é jogar futebol. Com nove contra nove, o back central vai ter que saber jogar. Não só ele, todos vão ter que saber jogar, porque a bola vai correr. Na verdade o futebol é um dos poucos esportes que não se adaptou a essa evolução. Imagine uma prova de atletismo, 100 metros, hoje, com cronômetro manual... Iria dar empate para caramba. Ou 50 metros na piscina. Tem que se adaptar a isso. E futebol não mudou nada. Não quer mudar. Nem tecnologia se utiliza para se dirimir as dúvidas de arbitragem.

Você não acha que essa não adaptação beneficia maus jogadores, que mesmo não tendo tanto talento, mantêm contratos milionários?
Hoje, na verdade, se nivelou o futebol. Um ou outro jogador que se destaca, que tem mais técnica, mais talento. Na verdade, todo mundo privilegia o físico hoje e é isso que impera no futebol. Seja na seleção de Honduras, você comparar com a seleção da Inglaterra. Você vê as equipes que se classificaram, tem time que nunca passou para a segunda fase e tem um monte na segunda fase, tá tão igual.

Como foi a democracia corinthiana?
Uma sociedade que decidia tudo no voto e a maioria simples levava vantagem nas decisões, absolutamente democrático. O roupeiro tinha o mesmo peso de voto de um dirigente.

Como a direção do time reagiu? Não só a direção, mas os patrocinadores, o Leão quis dar uma pernada?
O Leão não dava pernada em ninguém, ele nunca votou ué. Um voto nulo, em branco. Se você não quer participar de uma sociedade você não vota e agüente a decisão da maioria. A direção participava, um voto era da direção do clube e não tinha patrocinador, nessa época não tinha essas coisas.

Esse foi um dos poucos momentos em que o futebol cumpriu um papel mais positivo politicamente?
Na verdade cumpriu um papel importante nesse processo de redemocratização, porque o processo corintiano começou dois anos antes da grande mobilização das Diretas Já! Acho que foi um fator importantíssimo na discussão da realidade política brasileira. Você está dentro de um meio extremamente popular, com uma linguagem que é acessível a todo mundo está discutindo uma coisa que há muito tempo ninguém ou muita gente jamais teve a possibilidade de efetuar, que era o voto. Foi importantíssimo. Igual a isso eu não conheço nada parecido no futebol.

Você acha que o futebol pode cumprir um papel mais progressivo?
Claro. E esse é o grande medo do sistema. Você imagina a Gaviões da Fiel politizada. Né!? Você tem mobilização já pronta, você tem palco, duas vezes por semana, para exercer o seu direito, a ação política, só falta a politização.

Falta organização política para os jogadores?
Falta consciência! Falta... Por isso o sistema deseduca esses caras. Em vez de educar, faz de tudo para o cara não adquirir uma consciência social, política, porque esse é o mais importante. Ele é mais ouvido que o Presidente da República, esse cara pode mudar o país. Uma das brigas que eu tenho é “por que não educar esse povo, se é obrigação do Estado educar todo mundo?”. Pelo menos esse povo tem que ser educado. Agora mesmo, fui para a África do Sul, uma campanha pró-educação, inclusive com iniciativa da Fifa, com chancela da ONU, Educação Global, que é uma das metas do milênio, até 2015 pôr todas as crianças na escola. Então, no caso da Fifa, ponha primeiro os jogadores. (risos)

Você acha que o Estado deveria cumprir um papel mais importante na gestão do esporte?
É claro! Mas ninguém quer mexer muito nisso. Ninguém quer mexer, porque é um vespeiro. Mas deveria. Particularmente o futebol no Brasil é um negócio, como outro qualquer. Por que o Estado não tem controle sobre isso. Ele usa todos os símbolos nacionais, hino, bandeira, até a alma do brasileiro ele usa.

Você acha que o Estado deveria intervir para tentar segurar os jogadores no Brasil?
Já existe legislação para isso. O trabalho infantil ele é penalizado. Mas como você vai evitar que uma criança se transfira para outro país dentro das condições legais, quer dizer, arrumam emprego para os pais, os caras sempre fazem aquilo que precisa ser feito. Isso só vai ser educado quando tivermos consciência de que temos que valorizar a ‘commodite’ que temos em mão. Que é a qualidade do jogador brasileiro, o talento do jogador brasileiro. Em vez de vez de vender o artista, tem que vender a obra dele. Quando a gente começar a vender a obra dele, a gente vai ter muito mais riqueza. Um bom exemplo é o Ronaldo. O Ronaldo é um cara que vale ouro, que veio pra cá e está ganhando o mesmo que estava ganhando lá, ou mais. Então é possível sim, mas é uma mudança de mentalidade. Na verdade o futebol brasileiro vende seu artista porque também é uma forma mais fácil de se manipular os recursos. Nem todo dinheiro que saí de lá chega aqui, no meio do caminho tem muita gente intermediária.

Adeptos se mobilizam contra Manchester United

A má fama dos proprietários do Manchester United, a família Glazer, entre os torcedores pode prejudicar a ativação do patrocínio da Aon. O acordo entre a companhia e o clube foi firmado por cerca de 80 milhões de libras por quatro anos. A torcida ameaça ignorar as camisas que possuírem o logotipo da empresa por crer que o aporte contribui para que os Glazers não eliminem dívidas.

"Lendo vários fóruns de adeptos, é muito aparente que vários torcedores veem a nova camisa com a Aon como símbolo da gestão da família Glazer, mais do que um símbolo do Manchester United que nós historicamente conhecemos e amamos", disse um representante do Manchester United Supporters Trust, grupo organizado de torcedores.

"É importante que todos os torcedores entendam a necessidade de remover os Glazers do nosso clube para melhorar as chances de sucesso e sobrevivência no futuro", completou.

O Manchester United está iniciando a pré-temporada na América do Norte e deve disputar amistoso contra o Celtic, na próxima sexta-feira (16), em Toronto, Canadá.

Fonte: Maquina do Esporte.

16 de julho de 2010

Por dinheiro, Fifa pode mudar calendário para Copa

Para evitar que estrelas como Cristiano Ronaldo, Messi, Kaká e Rooney repitam o mau desempenho da Copa do Mundo da África do Sul em 2014, no Brasil, a Fifa planeja exigir que os campeonatos nacionais terminem cerca de um mês antes do mundial.

"Muitos jogadores têm chegado (à Copa) apenas com sua carcaça, sem energia", disse o ex-jogador liberiano George Weah, atual dirigente da Fifa encarregado em dirimir esses problemas. "Isso precisa mudar".

Além do término antecipado dos torneios nacionais, ainda espera-se que a entidade máxima do futebol exija uma semana de folga para todos os jogadores convocados ao mundial.

A medida, contudo, não tem como objetivo apenas a regeneração física dos jogadores. Por trás dela, está a necessidade da Fifa de organizar competição com alto nível técnico, a fim de atrair patrocinadores.

Fonte:
Máquina do Esporte.

15 de julho de 2010

Futebol brasileiro à beira do colapso

Mesmo que você seja mais jovem do que eu, certamente já teve a felicidade de assistir exibições de alto gabarito do futebol brasileiro em nossos estádios. Algo que era corriqueiro até o final da década de 1980. E que só resgataremos com a manutenção de nossos melhores jogadores em nosso território e algumas mudanças de comportamento por força de lei ou pressão da mídia.

De lá para cá, estas exibições têm sido raras. Os motivos são diversos. Os mais citados são:

- redução de espaços abertos onde outrora os moleques quase pelados praticavam peladas alimentando enormes celeiros de jovens com alto potencial futebolístico. Estas áreas foram substituídas por escolinhas que em muitos casos inibem a criatividade de alguns promissores adolescentes, obrigando-os a atuarem de forma "burocrática" e previsível.

-elevação do gabarito da preparação física que permite que os defensores rapidamente provoquem trombadas contra os atletas mais técnicos. Sempre é mais fácil destruir do que criar algo elaborado. Fora a brandura das penas
aplicadas.

-árbitros despreparados que não inibem com rigor as jogadas mais violentas. A legislação esportiva oferece muitas brechas para atenuar e perdoar atos violentos dos botinudos. A quantidade de faltas precisa ser reduzida (como no Futsal) para que o jogo possa transcorrer com mais desenvoltura.

-jogadores deslumbrados com a ascensão meteórica se desgastam em noitadas mal dormidas e não rendem o máximo nos dias de jogos onde a exigência de esforço seja maior. Não seguem as normas disciplinares do clube. Total falta de profissionalismo. Os clubes fingem não ver.

-êxodo maciço de nossos melhores jogadores para outros continentes. Nossa desorganização fora das quatro linhas não nos permite montar uma estrutura adequada para concorrer com os poderosos clubes europeus e oferecer condições atrativas para nossos atletas permanecerem aqui. Até a Ásia consegue atrair nossos promissores jovens. Só teremos bons patrocinadores quando a administração for transparente e livre de vaidades. E quando as leis fecharem as brechas que ora existem.

-contratação de jogadores em fim de carreira que os estrangeiros não desejam mais. Estes atletas já realizados financeiramente, retornam por saudade da terra nativa para desfrutar do que melhor temos: mulheres bonitas, praias, sambas, cervejas, recantos bucólicos sem neve e fãs atuantes. Certamente (pois são humanos) não se empenharão da mesma forma que quando estavam no início da carreira. Já não entram nas divididas com o mesmo entusiasmo.

-táticas e estratégias voltadas para a defesa aglomerada em função de regras que não incentivam o ataque constante que fatalmente resulta no que de mais belo e emocionante existe neste esporte: o gol! Jogos terminados em 0 x 0 não deveriam conceder pontos aos dois times! Times que goleiam (mais de três gols de diferença) deveriam ser premiados com ponto extra.

-legislação benevolente com empresários e procuradores que forçam contratações visando apenas seus lucros pessoais. A saúde financeira do clube fica em terceiro plano. Desta forma, os grandes clubes devem até a sede aos cofres públicos. Os clubes menores já não montam mais equipes
capazes de produzir "zebras" que empolgavam nossos campeonatos.

Este conjunto de fatores está afastando os torcedores dos estádios. Aliados a outros de importância semelhante, tais como:

-datas e horários inadequados de jogos. Alguns terminam após 23:55 hs. Fica difícil para quem precisa acordar às 5:00 hs só poder dormir 3 ou 4 horas. Sem contar os regulamentos confusos e ilógicos que às vezes regem os torneios.

-falta de segurança nos estádios e adjacências. Torcidas "organizadas" promovem badernas que espantam famílias. Após 50 metros dos estádios o
torcedor não conta com nenhuma proteção policial para trafegar rumo ao seu lar.

-desconforto dentro e fora dos estádios. Assentos sujos e quebrados. Sinalização e iluminação deficientes. Banheiros sem água, sabão e papel higiênico. Bares com alimentos de origem suspeita. Infiltrações nas coberturas e poucas bilheterias para atender a multidão de compradores de ingressos (mesmo antecipados). Confusão nas ruas próximas e nos estacionamentos irregulares.

-transporte inadequado. Redução dos veículos coletivos após 23:00 hs. Metrô abarrotado e quente. Trajetos equivocados nestes horários.

-custo do espetáculo. Um par de torcedores (em geral pai e filho) consome no mínimo R$ 140,00 (ingresso+transporte+lanche) para assistir a um jogo. O baixo nível salarial de nosso povo não permite esta aventura mais de uma vez por mês. E o padrão dos jogos não motiva a ponto de tanto sacrifício.

-canais fechados para que o clamor público se faça presente. Jamais as sugestões de torcedores (os que pagam) foram coletadas para ajudar na melhora do espetáculo. A mídia pode fazer isto com baixos custos e encaminhar com credibilidade. E cobrar. Todo este pacote de "maldades" contribui para que jogos como Botafogo x Flamengo e Palmeiras x Corinthians tragam menos de 20.000 torcedores para os estádios. Na década de 1980, este número nunca era inferior a 60.000 espectadores.

Como nossa seleção só tem sido formada por atletas que residem fora do país, não temos oportunidade de assistir os melhores em nossos campos, mesmo tendo de superar todos os obstáculos citados acima. Somente assinantes de TV a cabo desfrutam de tais jogos.

Este cenário contribui para uma gradativa redução do entusiasmo dos nossos torcedores. A persistir esta curva descendente, dentro de poucos anos dezenas de profissionais do ramo futebolístico (inclusive jornalistas) perderão espaço para trabalhar.

Esta visão que aqui registramos, deve refletir o sentimento de mais de 90% dos torcedores. Basta efetuar uma rápida (e barata) pesquisa em escala nacional através da mídia para comprovar esta suspeita.

Certamente cada um de nós tem diversas sugestões para minimizar (e eliminar) vários dos problemas que nos incomodam. Apesar de vocês serem especialistas competentes do ramo, com certeza não se furtariam a juntar opiniões de seus seguidores para montar um documento elencando as medidas mais adequadas com tal objetivo. Estas opiniões seriam coletadas por pesquisas simples através de seus canais de comunicação. Sem maiores ônus para gerenciá-las.

Após uma triagem de consenso, o tal documento seria encaminhado a uma comissão (CBF + federações + árbitros + donos de jornais + rádios + TVs + segurança pública + empresas de transporte + câmara legislativa + patrocinadores) para que fosse criada uma cruzada de recuperação da alta qualidade do nosso futebol que sempre nos encantou e que sem dúvida causa inveja e temor aos demais países. Pelas enormes dimensões de nosso território, certamente temos capacidade para montar de três a quatro seleções nacionais superiores a todas as restantes do planeta. E gerar postos de trabalhos e bons lucros.

Algumas medidas poderiam ser convertidas em leis. Outras passariam a fazer parte de uma norma de conduta da CBF. Outras fariam parte de acordos éticos (?) entre os dirigentes sem vaidades (??). Algumas experiências podem ser efetuadas nas categorias sub-17 e feminina com aval da Fifa. Com ajuda dos militantes lúcidos da imprensa, certamente chegaremos a consenso de agrado geral para combater este marasmo que se instalou em nosso esporte preferido e lentamente esfacela nosso entusiasmo.

Dentre as dezenas de questões possíveis a serem coletadas, de imediato (e humildemente) sugerimos a seguinte: a seleção de futebol deve ser convocada seguindo o seguinte critério (podendo mesclar alguns):

a) Apenas jogadores que estejam atuando no Brasil no mínimo por dois anos.
b) Convocar no máximo 25% de "estrangeiros" (a experiência deles lá
fora não deixa de ser útil ao treinador).
c) De forma que a média de idade seja inferior a 25 anos.
d) Que tenham atuado em mais de 80% das partidas da última temporada.
e) Não tenham tido mais de quatro expulsões durante a última temporada.
f) Outra sugestão (descreva em até duas linhas).

Sem mais no momento, despedimo-nos na esperança de que algo de útil possa ser extraído deste resumo e possa auxiliá-los nesta complicada batalha que certamente vai esbarrar em fortes interesses (às vezes escusos) para manter este "caos" dentro de nossas fronteiras. Mas se vocês se unirem e abraçarem esta causa e apoio de ex-atletas que criaram o entusiasmo que ainda nos alimenta, tenham certeza de que o povo os apoiará na pressão que forçará os dirigentes a adotar atitudes saudáveis no sentido de preservar nosso maior patrimônio: o fabuloso futebol brasileiro!

Uma cruzada comandada por jornalistas sérios, competentes e preocupados com o futuro de nosso esporte preferido, com certeza terá sucesso garantido e agradecimento dos fãs do tão decantado "futebol-arte". Além de alargar os horizontes profissionais para diversas categorias.


*Haroldo Pereira Barboza é matemático, analista e poeta, e escreveu o livro "Brinque e Cresça Feliz"

Fonte: Universidade do Futebol.